Criações

TANG PING, um Western moderno sobre não ser ninguém

"TANG PING, um western moderno sobre não ser ninguém", de Ana Vitorino, Carlos Costa e Gemma Rodríguez, é a nossa nova criação para palco. Coproduzido pelo Teatro Nacional de São João, pelo Teatro Municipal da Guarda e pelo Teatro Municipal de Vila Real, o espetáculo tem estreia marcada para o segundo semestre de 2022.

Tang Ping é uma expressão em mandarim que em português poderíamos traduzir como “ficar deitado”, mas não num sentido de imobilidade – porque implica a decisão de te deitares –, nem de desistência – porque implica precisamente um ato de resistência. Tang Ping tornou-se, assim, num movimento que, na China, recusa a opressão do 996: o regime laboral das nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana. Tang Ping é, portanto, o ato não colaborar, de não aceitar, ou, como dizia Jacques Attali ainda no século XX, o mais inalienável direito do século XXI: o direito de abandonar o barco.

Em “Tang Ping” - o espetáculo -, um grupo de pessoas aceita, por diferentes razões pessoais, colaborar num trabalho que tenta explicar a relação entre dois eventos que, partindo da mesma ideia, tiveram resultados absolutamente opostos: as adaptações radiofónicas de “A Guerra dos Mundos” de H.G. Wells realizadas por Orson Welles nos Estados Unidos (1938) e por Leonardo Páez no Equador (1949). Para Welles, uma criação que impulsiona uma fulgurante e reconhecida carreira; para Páez, a queda em desgraça, o exílio, o esquecimento.

À medida que avançam – também em formato de criação radiofónica - na comparação entre os dois eventos e entre a biografia dos dois homens, os colaboradores começam a desvendar a tensão entre os seus desejos e objetivos individuais e a pressão de concluir o trabalho, cumprir o compromisso. Terão o direito de “abandonar o barco”? Estarão sequer juntos no mesmo barco?

Um duelo entre valores e desejo de sucesso (ou medo do esquecimento), numa narrativa que trata também da afirmação da identidade dos protagonistas, uma identidade em que tantas vezes a persistência anda de mãos dadas com a aceitação do destino.
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texto Ana Vitorino, Carlos Costa e Gemma Rodríguez direção Ana Vitorino e Carlos Costa cenografia, adereços e figurinos Inês de Carvalho banda sonora original e sonoplastia João Martins desenho de luz Pedro Correia vídeo e design gráfico Sara Allen assessoria artística e de comunicação Carlota Castro coordenação de produção Alice Prata produção executiva Pedro Monteiro assessoria de imprensa Joana de Belém produção Visões Úteis (2022) coprodução Teatro Nacional de São João, Teatro Municipal da Guarda e Teatro Municipal de Vila Real apoio Acción Cultural Española