RAIA - ARK

RAIA - ARK

© Alexandre Fernandes / Teatro Municipal do Porto

RAIA – ARK” é uma performance em forma de “palestra”, desenvolvida a partir de um projeto de investigação em territórios raianos, e de um mapeamento de “fronteiras” dentro da própria cidade do Porto.
Explorando ao vivo as noções de “distanciamento forçado” e “interrupção”, esta conferência-performance convida os espectadores-participantes a partilhar de uma reflexão em torno de conceitos espaciais dicotómicos como centro/periferia, união/divisão, mas também em torno da ideia de transnacionalidade como ato de resistência - em oposição aos discursos extremistas e divisivos contemporâneos.

Durante o primeiro semestre de 2021, o Visões Úteis desenvolveu “RAIA”, um projeto de investigação, performance e vídeo cocriado por Ana Vitorino e Inês de Carvalho, no âmbito do qual levou a cabo um conjunto de viagens às pequenas e pouco habitadas aldeias da fronteira norte Portugal-Espanha. Um local descentralizado, que durante dez séculos foi um território autónomo com leis próprias e liberdade de nacionalidade, constituindo assim um caso raro e curioso de “escrita” cenográfica dentro de uma história geopolítica peculiar. Aí, o coletivo artístico testemunhou a forma como as fronteiras geopolíticas podem perder significado diante da proximidade e da convivência e da cultura que une as comunidades portuguesas e espanholas vizinhas, e também como a pandemia de Covid-19 impactou essa realidade como nunca antes.

Simultaneamente, a convite do projeto “ARK Porto – Escola de Confins e de Nenhures”, no âmbito do projeto europeu Moving Borders de que o Teatro Municipal do Porto foi o parceiro português, as duas artistas percorreram o território onde se inserem – Campanhã, a zona mais oriental da cidade do Porto -, onde mapearam as barreiras físicas que “cicatrizam” a área e influenciam a mobilidade de seus habitantes, bem como seu sentimento psicológico e emocional de (não) pertença à cidade. 

O resultado público deste duplo trabalho foi uma “aula-performativa” apresentada no Rivoli (Teatro Municipal do Porto) em julho de 2021, um formato híbrido, onde as noções de fronteira e distanciamento social foram incorporadas no próprio layout do espaço de apresentação, e os espectadores-participantes foram desafiados a participar através de uma série de exercícios práticos, ao mesmo tempo que incentivados a interromper o fluxo de informações a qualquer momento, sendo-lhes conferido o poder de interromper a apresentação de factos e desencadear a apresentação de histórias – histórias reais, surpreendentes e emocionantes, recolhidas durante os percursos de pesquisa na fronteira portuguesa e nas ruas do Porto.

Esta “aula-performance” foi depois adaptada a conferência performativa para um público internacional, numa apresentação (seguida de debate) na Conferência “Shifting Centres” promovida pela IFTR – International Federation for Theatre Research, em Reiquiavique (Islândia) a 24 de junho de 2022.