"Ibéria Sector 5" (título provisório)

"Ibéria Sector 5" (título provisório)

Os Reenactment Studies apresentam-se  como ensaio de um novo campo disciplinar, fugindo da influência da museologia e aproximando-se dos Estudos da Performance, do teatro e do património.
De um modo geral, os reenactments - que integram há décadas a metodologia de trabalho de etnógrafos e antropólogos - têm tido uma abordagem mais espetacular sobretudo na recriação de momentos históricos emblemáticos, sejam estes uma batalha na Guerra da Secessão ou uma performance de Marina Abramovic.

Mesmo assim, trata-se de imaginar para encarnar, ou de um modo mais simplista (porque não?), de copiar o passado; o que não é nem simples de fazer - na tensão entre o desejo de criar comunidade e a atração pela fixação de uma narrativa - nem fácil de definir, ora enquanto metáfora, ora enquanto metamorfose.

Ainda há pouco tempo, o passaporte dos portugueses apresentava duas imagens no verso da capa e da contracapa: Luís de Camões e Fernando Pessoa. Depois, os designers do documento faziam ecoar essa imagem por todas as outras páginas, sob a fotografia do titular, o seu nome e os carimbos e vistos atestando as suas viagens. Seria possível um artista performativo ter sido proposto como motivo pelos desenhadores e aceite pelo Estado português? Provavelmente não, porque ninguém se lembra, porque a memória desses inefáveis momentos desaparece com a morte dos que estiveram presentes, e porque sem memória nada se pode inscrever na identidade.

Pugnar pela memória da performance - através do seu arquivo - é legitimar as artes performativas enquanto fator de identidade.

Em colaboração com o CEIS20 - Centro de Estudos Interdisciplinares, da Universidade de Coimbra, a primeira edição de REENACT NOW - um ciclo de reenactments contextualizados - é co-produzida pelo Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica e parte do espetáculo "Ibéria Sector 5" (1981), da Companhia Bonifrates.

direção Carlota Castro coordenação artística e científica de REENACT NOW Carlos Costa, Carlota Castro supervisão científica Fernando Matos Oliveira texto, direção e interpretação da conferência-performance Carlota Castro, Paula Caspão cenografia, figurinos e adereços Maria Manada desenho de luz Pedro Abreu design gráfico e conceção do caderno Sara Allen coordenação de produção Alice Prata produção Visões Úteis (2023) co-produção Festival Internacional de Expressão Ibérica agradecimentos Ana Ramos, Conceição Pratas, João Maria André, José Leitão, Maria Manuel Almeida, Mário Moutinho, Ramon Barea, Roberto Merino