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Terça, 26 Abril 2011 17:23

IETM 2011 - Dilemas de Estocolmo

Escrito por Visões Úteis

Depois de Vilnius (2009) e Berlim (2010), estivemos nos passados dias 14, 15 e 16 de Abril em Estocolmo, em mais um plenário do IETM – International Network for the Contemporary Performing Arts, organização que reúne diversos agentes das artes performativas, vindos dos quatro cantos do mundo, e que promove a discussão de diversas questões, sobretudo relacionadas com política cultural e economia das artes. Os encontros plenários funcionam assim como um espaço de partilha de boas práticas mas também de contacto com os projectos artísticos locais.

Em Estocolmo, o debate centrou-se na pressão para a mudança que afecta o sector, na sequência dos impactos económicos da crise de financeira de 2008. Ao longo das discussões foi-se agudizando a sensação de que, de facto, uma parte importante do modo de produção a que o sector está habituado terá urgentemente que se transformar, sob pena de desaparecer. E a verdade é que grande parte dos postos de trabalho que sustentam hoje as artes performativas, e não existiam sequer há 30 anos, estão agora sob grande pressão, com a rápida mudança de valores imposta pelos constrangimentos económicos. Atravessar este período deverá então implicar capacidade de resistência ou de metamorfose mas, de um modo ou de outro, sempre a capacidade de abandonar alguma da segurança do mundo que até agora conhecemos.

Assim, e perante as mudanças no mapa do financiamento da criação artística, impostas pela actual crise e comuns à grande maioria dos países europeus, torna-se urgente encontrar novos modos de descrever, aos públicos e aos decisores, a importância do sector. Porque se mudam os argumentos – leia-se os valores – terão que mudar necessariamente as abordagens. Ora, esta situação revela-se particularmente complicada no caso português, onde a discussão de paradigmas para as políticas culturais se encontra ainda numa fase primitiva, tal é o modo como a discussão política é normalmente atropelada pelos interesses pessoais dos agentes mais próximos dos centros de decisão.

O plano traçado em Estocolmo, e a desenvolver ao longo dos próximos três anos, passa pela substituição dos argumentos políticos de carácter geral, pela força das histórias associadas a casos de boas práticas, que serão recolhidas e documentadas até 2014, em áreas tão diversas como os temas escolhidos pelos artistas, a colaboração com outros sectores, os formatos de relação com o público, ou os modelos de negócio que sustentam os projectos, entre outras. Enfim, trata-se de encontrar e apresentar visões para a utilização dos recursos públicos, abandonando o constante lamento acerca da dificuldade de casos individuais.

No mesmo sentido destas propostas para o futuro, parecem estar também novos modelos de organização, já nascidos no seio desta incerteza endémica, e que rapidamente mudam de táctica e abandonam, sem arrependimentos, os compromissos prévios. Trata-se de modelos obviamente mais informais, horizontais e efémeros, que contrariam a acelerada tendência para a institucionalização dos modelos surgidos, nomeadamente, na década de noventa. Mas também modelos em “guarda-chuva” que congregam uma pluralidade de organizações locais.

Naturalmente todas estas questões de elasticidade e metamorfose tornam-se mais complexas quando pensamos que, em certos casos, a flexibilidade pode esvaziar de sentido o projecto (nomeadamente o projecto de criação). Nestes casos a resposta terá de passar por uma capacidade de resistência que aguente a pressão política e económica, preservando a razão de ser do projecto... ou seja, ser demasiadamente elástico pode ser tão mau como ser absolutamente rígido.

Times are changing...

Quinta, 21 Abril 2011 14:30

Boom & Bang no 25 de Abril em Barcelos

Escrito por Visões Úteis

Mas não se podia legislar para impedir que isto acontecesse outra vez?

Este ano comemoramos o 25 de Abril em Barcelos, a convite do Movimento Cívico Amigos de Abril, com uma apresentação do nosso “Boom & Bang”.
Se ainda não percebeu como chegámos à crise, descontraia e divirta-se: a nossa troika explica-lhe tudo!


BOOM & BANG
25 de Abril / 21h30: Biblioteca Municipal de Barcelos
Largo Doutor José Novais

Domingo, 27 Março 2011 00:48

Dia Mundial do Teatro 2011

Escrito por Visões Úteis

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2011

 

“O Teatro ao serviço da humanidade”

 

A comemoração deste dia reflecte de forma clara o imenso potencial que o Teatro tem para mobilizar as comunidades e criar pontes entre as diferenças.

Já, alguma vez, imaginaram que o Teatro pode ser uma ferramenta poderosa para a reconciliação e para a paz mundial?

Enquanto as nações consomem enormes quantidades de dinheiro em missões de paz nas mais diversas áreas de conflitos violentos no mundo, dá-se pouca atenção ao Teatro como alternativa para a mediação e transformação de conflitos. Como podem todos os cidadãos da Terra alcançar a paz universal quando os instrumentos usados provêm de poderes externos e aparentemente repressores?

O Teatro, subtilmente, permeia a alma do Homem dominado pelo medo e desconfiança, alterando a imagem que tem de si mesmo e abrindo um mundo de alternativas para o indivíduo e, por consequência, para a comunidade. Ele pode dar um sentido à realidade de hoje, evitando um futuro incerto.

O Teatro pode intervir de forma simples e directa na política. Por ser um meio de inclusão, o Teatro pode conter experiências capazes de transcender conceitos falsos e pré-concebidos.

Além disso, o Teatro é um meio, comprovado, para defender e apresentar ideias que sustentamos colectivamente e pelas quais lutamos quando são violadas.

Na previsão de um futuro de paz, deveremos começar por usar meios pacíficos na procura de nos compreendermos melhor, de nos respeitarmos e de reconhecer as contribuições de cada ser humano no processo do caminho da paz. O Teatro é a linguagem universal através da qual podemos usar mensagens de paz e de reconciliação.

Com o envolvimento activo de todos os participantes, o Teatro pode fazer com que muitas consciências reconstruam os seus conceitos pré-estabelecidos e, desta forma, dar ao indivíduo a oportunidade de renascer para fazer escolhas baseadas no conhecimento e nas realidades redescobertas.

Para que o Teatro prospere entre as outras formas de arte, deveremos dar um passo firme no futuro, incorporando-o na vida quotidiana, através da abordagem de questões prementes de conflito e de paz.

Na procura da transformação social e na reforma das comunidades, o Teatro já se manifesta em zonas devastadas pela guerra, entre comunidades que sofrem com a pobreza ou com a doença crónica.

Existe um número crescente de casos de sucesso onde o Teatro conseguiu mobilizar públicos para promover a consciencialização no apoio às vítimas de traumas pós-guerra. Plataformas culturais, como o [ITI] Instituto Internacional de Teatro, que visa "consolidar a paz e a amizade entre as nações", estão já em acção.

Conhecendo o poder que o Teatro tem é, então, uma farsa manter o silêncio em tempos como este e deixar que sejam “guardiães” da paz no nosso mundo os que empunham armas e lançam bombas.

Como podem os instrumentos de alienação ser, ao mesmo tempo, instrumentos de paz e reconciliação?

Exorto-vos, neste Dia Mundial do Teatro, a pensar nesta perspectiva e a divulgar o Teatro, como uma ferramenta universal de diálogo, para a transformação social e para a reforma das comunidades.

Enquanto as Nações Unidas gastam somas colossais em missões de paz com o uso de armas por todo o mundo, o Teatro é uma alternativa espontânea e humana, menos dispendiosa e muito mais potente.

Não será a única forma de conseguir a paz, mas o Teatro, certamente, deverá ser utilizado como uma ferramenta eficaz nas missões de paz.

 

Jessica A. Kaahwa

Dramaturga Uganesa

Sexta, 18 Março 2011 15:37

A Comissão na Revista Sinais de Cena

Escrito por Visões Úteis

Na Revista Sinais de Cena, nº 14:

"O espectáculo A Comissão é interpretado com um humor brilhante, perfeitamente doseado, entre a sátira impiedosa e o absurdo enquanto fonte de cómico, por três actores talentosos, que manipulam imagens gastas de reuniões formatadas num modelo banalizado, protagonizadas por seres engravatados munidos de computadores e pastas de executivos, donos de uma liguagem tecnologizada e trapaceira... Os protocolos das reuniões e os regimentos das assembleias, o atraso, o convidado que não vem, a cerimónia da leitura da acta, a apresentação começada em português e que derrapa para o inglês como se se tratasse de um desvario repentino, a votação falsificada graças a regras criadas ad hoc para obter o pretendido apesar de derrotado, todas essas figuras que o espectador não pode deixar de (re)conhecer, são citadas e tratadas ao longo do espectáculo como se fossem acções-rituais,passos obrigatórios de uma vida artificial, ficcionada por seres-marionetas de competência duvidosa. Nessa exposição progressiva do seu ridículo, o espectador não pode deixar de se sentir vingado de certos tigres de papel e do seu poder sem importância. O riso suscitado cumpre aqui uma função catártica e confirma-se como o instrumento crítico por execelência, legitimamente presente na tradição e na actualidade do teatro, porque apenas ele permite mostrar o verdadeiro rosto das relações humanas na nossa sociedade tão invadida e contaminada pela certeza das tecnologias...Assim, no final, o champanhe partilhado com o espectador (outro ritual imprescindível...) deixa uma nota desarmante e algo ambígua: não seremos todos nós cúmplices de tais ficções, como aquela que acabou de ser tão empenhadamente desmistificada no palco?"

Christine Zurbach

Quarta, 16 Março 2011 13:27

A Comissão em Lisboa

Escrito por Visões Úteis

No âmbito do "Ciclo de Teatro do Porto?", onde são apresentados trabalhos de cerca de uma vintena de companhias da cidade, o Visões Úteis faz duas apresentações de "A Comissão" no Teatro São Luiz em Lisboa - são mais duas reuniões fictícias onde o nosso bizarro Comité Executivo tentará fazer aprovar o seu Plano de Acção!

Dias18 (Sexta) e 19 (Sábado) de Março às 22h - Foyer do Jardim de Inverno / São Luiz Teatro Municipal

SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL
Rua António Maria Cardoso, 38
1200-027 Lisboa
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TEL.: 213 257 640
FAX: 213 257 631
COMO CHEGAR
Autocaros: 58, 790
Metro: Baixa-Chiado
Eléctrico: 28
PARQUES DE ESTACIONAMENTO
Largo Camões
Praça do Município

 

Estão abertas durante todo o mês de Março as inscrições para o Curso de Férias da Páscoa do Visões Úteis, que decorrerá de 11 a 15 de Abril e se destina a crianças dos 6 aos 10 anos.

O Curso de Férias da Páscoa Visões Úteis pretende articular Arte, Ciência e Filosofia, proporcionando às crianças uma experiência divertida e multidisciplinar, durante a qual irão aplicando conhecimentos de diferentes áreas num exercício de expressão dramática, desenvolvido ao longo do curso e apresentado no final aos pais.

 

ACTIVIDADES

A gravidade não é grave! (Malabarismo); Vamos brincar com as ideias (Filosofia); Empurra aqui a ver se eu deixo! (Física); Brinquedos Ópticos (Artes Visuais); Como soa uma história? (Música); Expressão é movimento. (Teatro, Movimento e Escrita)

FORMADORES

Ana Luísa Azevedo (Teatro), Inês de Carvalho (Artes Visuais), Maria Inês Gomes (Filosofia), João Martins (Música), Pedro Carreira (Física), Vasco Gomes (Malabarismo)

 

Datas: Semana de 11 a 15 de Abril

Horário: Das 09h às 17h

Local: Visões Úteis Fábrica Social - Fundação José Rodrigues

Preço: 65,00€ (inclui seguro e almoço)

 

O Curso será reconhecido por um Certificado de Participação, entregue a todos os formandos que o frequentarem.

Este Curso tem o apoio da Fundação José Rodrigues e da Cafetaria Lugar de Sabores.

 

Para informações mais detalhadas acerca dos conteúdos e para inscrições contactar:

Visões Úteis

Fábrica Social

Rua da Fábrica Social, s/n

4000-201 Porto

Telf: (+351) 22 200 6144

Tlm: (+351) 93 176 54 75

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Quinta, 03 Março 2011 18:02

Boom & Bang em Penafiel

Escrito por Visões Úteis

Este Sábado, dia 5 de Março, levamos BOOM & BANG, a nossa divertida explicação da crise financeira, a Penafiel a convite do Bloco de Esquerda. É às 16h no Auditório Municipal (Pavilhão de Exposições de Penafiel).

Terça, 01 Março 2011 18:05

Workshop de Voz - novas datas!

Escrito por Visões Úteis

Tentando fazer face a algumas incompatibilidades de calendário com que se debatiam vários interessados, a nova edição do Workshop de Voz pós-laboral dirigido por Marina Freitas foi adiada e passará a  decorrer entre Abril e Julho. Assim, as inscrições estarão abertas durante todo o mês de Março e até 20 de Abril.

Este Workshop dirige-se a quem desejar desenvolver capacidades de comunicação, de expressão, projecção e articulação, sendo particularmente útil para todos aqueles que utilizam a voz como a sua principal ferramenta de trabalho.

Datas: 26 de Abril a 5 de Julho 2011
Horário: Terças e Quintas das 19h00 às 21h00
Duração: 40 horas
Local: Visões Úteis (Fábrica Social – Fundação José Rodrigues)


Propina do Curso: 20,00€ / inscrição + 5,00€ / seguro
1ª Prestação: 100,00€ (pago no Acto de Inscrição)
2ª Prestação: 100,00€ (pago até 30 de Julho 2011)

O Curso será reconhecido por um Certificado de Participação, entregue a todos os formandos que frequentarem o curso.
Os participantes deverão ter mais de 18 anos e dominar a língua portuguesa.

Inscrições e Informações:
Telf: 22 200 6144
Tlm: 93 176 54 75

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Quinta, 24 Fevereiro 2011 17:28

Estado de Sítio na Cultura - Comunicado da Plateia

Escrito por Visões Úteis

Face aos recentes anúncios da tutela em que o "estado de direito" é substituído por um "estado de sítio" em que tudo vale e é traçado um caminho no sentido daquilo a que chamamos "desArtificação da cultura", a Plateia dirigiu à srª Ministra da Cultura, hoje de manhã, o comunicado abaixo.
Encaminhamos seguidamente esse mesmo comunicado para o Gabinete do sr. Primeiro-Ministro, pedindo a sua intervenção directa já que consideramos que esta tutela atingiu já o "ponto de não retorno".
Do Gabinete do PM, 30 minutos passados sobre o envio, recebemos resposta acusando a recepção da mensagem. Do Ministério da Cultura nada recebemos.

Demos já conhecimento aos deputados da 13ª comissão parlamentar destas nossas comunicações.

“Estado de sítio” ou desArtificação sistemática da cultura?
Comunicado da PLATEIA associação de profissionais das artes cénicas, manifestando
Indignação perante incumprimento de contratos com base na falta de verbas que não é revertida quando essas verbas passam a existir
Perplexidade pela forma festiva e ligeira com que essas verbas passam a ser alocadas a novos programas
Repúdio pelo desrespeito das formas de representação democrática escolhidas pelos cidadãos profissionais das artes

Excelência,

Dirigimos-lhe um escrito, a escassas horas do anúncio festivo de “novas medidas de financiamento das artes” no CCB, do qual não foi sequer acusada a recepção pelos V.os serviços, como aliás tem sido norma.

Agora que são de conhecimento público as novidades anunciadas no referido evento, somos a manifestar a nossa perplexidade, desilusão e indignação pela mistificação de “boas vontades”, ao arrepio do mais básico respeito por compromissos previamente assumidos e pelo trabalho desenvolvido por milhares de cidadãos profissionais das artes, que operou na sessão pública de marketing na passada terça-feira, no CCB. Não fomos convidados; percebemos porquê.

É desde logo revelador o facto de um ministério promover uma festa, uma acção de campanha, para marcar um acréscimo de 5 milhões de euros no seu orçamento. É revelador de quão baixo é o orçamento global do ministério liderado por Vossa Excelência.

Poderia ter-se tratado de apenas mais um exemplo de um modus operandi que se repete: primeiro o anúncio da catástrofe e depois o trabalho, que deveria ter sido prévio, de angariar verbas que permitam eliminar a catástrofe. Mas desta vez não foi isso que foi anunciado. Antes anunciou que irá utilizar o dinheiro em dívida às estruturas de produção/criação artística para lançar novos programas de apoio complementar e indirecto às artes, tão timidamente e à pressa, que correm o sério risco de não serem estruturantes, verdadeiros investimentos, e apenas satisfazer necessidades de um núcleo restrito de “escolhidos”. E é este anúncio extensível a um triénio (2011-2013); pressupõe-se portanto que o incumprimento de contratos decididos em concurso público e a redução de verbas disponíveis para novos concursos de apoio à criação artística é para manter. Troca-se assim, levianamente e sem nunca chamar os representantes do sector, a certeza de desestruturação do sector da criação artística (desde sempre mantido em níveis de sobrevivência, como mais uma vez o sr. Primeiro-Ministro terá admitido) por uma incerta estruturação de novos territórios de acção do Ministério.

Abaixo utilizamos dados transmitidos por Vossa Excelência em post de sua autoria, de 16 de Novembro de 2010, no “blogue da cultura”.

Em Novembro do ano transacto, na sequência da apresentação do OE 2011 na AR – e ainda não terminada a sua discussão e muito menos aprovado – anunciou que não iria cumprir os contratos de financiamento a quatro anos, retirando a um total de 77 estruturas, 3 Milhões de euros. A todas aplicou um corte de 23% nas verbas que, confiando na boa fé do estado, tinham sido a base para a responsável planificação da sua actividade, para assumir compromissos com indivíduos e entidades terceiras.

Concomitantemente informou que os concursos para apoio bienal e anual iriam abrir com um corte de 24% relativamente ao ano anterior e para menos 5 estruturas, o que faz descer a média de financiamento disponível por estrutura de 65 mil euros para 52 mil euros; o corte aqui ficou perto dos 2 Milhões de euros.

Fomos ainda informados que a abertura de apoios a projectos artísticos pontuais seria posteriormente avaliada, mas à data o corte foi de 100%, correspondendo a 1,6 Milhões de euros (em 2010 só foram investidos 0,8 M, já que, após vencidos todos os prazos, decidiu a tutela não cumprir o previsto na lei e não abrir concurso para 2º semestre).

Tem assim o Ministério de Vossa Excelência uma dívida acumulada de mais de 6 Milhões de euros para com as estruturas de criação/produção artística, 3 Milhões destes para com estruturas com contratos em curso, com montantes definidos a 4 anos em concurso público.

As razões evocadas: falta de verba em sede de PIDDAC, de onde teriam de provir os montantes necessários, acrescida de previsível cativação na futura Lei de Execução Orçamental, com isto pré-anunciando que também nessa altura não iria fazer o “trabalho de casa”.

No CCB anunciou que conseguira nova receita para o seu Ministério: um aporte de 5 milhões de euros resultante de uma redistribuição, favorável à cultura, das receitas do euromilhões decidida em conselho de ministros. A ilusão de que, como qualquer cidadão honrado, iria, antes de tudo, cumprir compromissos prévios, desvaneceu-se. Anunciou a aplicação de 3 Milhões de euros em novos programas. 1 Milhão para reduzir os 3 Milhões retirados a apoios a 4 anos e mais 1 Milhão para abrir apoios a projectos pontuais retirando-os do zero em que os tinha colocado. Chamou a isto “reforço”. Poderá tecnicamente ser um “reforço” de verba da DGArtes, mas para nós é no mínimo uma enorme falta de respeito, que deveria Vossa Excelência sentir estendido também ao posto de chefia da cultura nacional que ocupa.

No CCB falou-se de “estabilidade”, em “protecção do sector da cultura” (pelo que nos chega pela comunicação social das palavras do sr. Primeiro Ministro).

Que estabilidade, que protecção, se nem os resultados de um concurso público e as obrigações contratuais que dele decorrem, são para valer?

E é também pura mistificação, como muito bem sabe Vossa Excelência, que os novos programas que se propõe lançar possam de alguma forma substituir os montantes subtraídos ao apoio directo a cerca de 250 estruturas, distribuídas no todo nacional, de criação/produção artística.

Programas consequentes de apoio à internacionalização e para criação de uma verdadeira rede nacional de difusão da criação artística são desde há muito reclamados pela Plateia. O que não é minimamente aceitável é que tal seja feito à custa das entidades de criação que ficam a saber pela comunicação social que afinal existem as verbas que lhes foram retiradas, que afinal não é preciso que provenham do PIDDAC, concluindo, que todas as razões evocadas para os cortes no post de 16 de Novembro caducaram mas os cortes continuam. Formalmente, do Ministério de Vossa Excelência (via DGArtes) ficamos todos a saber que promete abrir concurso com 1 Milhão de euros para apoio para 70 projectos pontuais (descendo a média de apoio por projecto de 16 para 14 mil euros), que mandatou a DGArtes para estudar os procedimentos, a metodologia e a calendarização a adoptar para a utilização do “reforço” de 1 milhão de euros para os contratos a 4 anos; algumas das 77 estruturas com contrato a 4 anos foram recebendo as adendas para 2011 com os “antigos” cortes de 23%. Para as estruturas candidatas a apoios a 1 e 2 anos, nada de novo, a não ser o conhecimento da proposta de decisão do concurso em curso que comprova a considerável descida do apoio por estrutura.

E lamentamos duvidar seriamente do alcance das novas medidas lançadas. Internacionalização para ter efeitos imediatos em 2011 (foi o anúncio, mas as programações internacionais definem-se com 2 anos, mínimo 1 ano, de antecedência), para um espectro alargado que inclui além das áreas ligadas à DGArtes, o cinema, a literatura e áreas comerciais da cultura. Tão curta verba para tão larga ambição.

Apoio à criação de uma rede nacional de teatros, também a concretizar a curto prazo e com curta verba. Fomos informados que se tratará de programa de adesão voluntária e para o qual os teatros terão de cumprir regras de organização interna e dos serviços prestados à comunidade. Ora como não será dado tempo de recuo que permita reestruturação do funcionamento dos teatros, apenas acederão ao programa teatros que apresentem já “boas práticas”, aumentando assim o fosso entre os teatros que funcionam e os que não funcionam, entre as populações com um serviço com qualidade e as que nada têm, diminuindo a democracia no acesso à arte pela população portuguesa fora de Lisboa.

Desvio para a opacidade dos processos, estado de direito em crise, favorecimento de mediadores da arte em detrimento da valorização intrínseca da criação artística e protecção da liberdade de criação, sua característica idiossincrática. Acresce a total ausência de diálogo com as estruturas representativas do sector como são a Plateia e a Rede, no terreno desde 2004, e que nunca como agora foram ignoradas pela tutela.

“Estado de sítio” ou desArtificação sistemática da Cultura?

Provavelmente ambos!

Extingue-se a expectativa de que Vossa Excelência respeite os princípios democráticos do estado de direito, que possua competências para gerir a Cultura em Portugal. Foi atingido o "ponto de não retorno".

Domingo, 16 Janeiro 2011 13:06

O Vento - Estreia Absoluta!

Escrito por Visões Úteis

Depois de um processo de criação que passou por uma recolha de materiais e experiências durante uma viagem a Castilha-La-Mancha e duas semanas de residência criativa na Afurada, está pronto a estrear O VENTO: um evento-espectáculo dirigido aos mais novos e aos adultos que os acompanham, que não se limitam a ver... são convidados a fazer!

Cada apresentação de O VENTO é antecedida por uma oficina criativa dirigida pelos próprios intérpretes que preparam os participantes para intervir directamente no espectáculo com acções performativas de expressão sonora, dramática, plástica e de movimento. Os participantes são ainda chamados a tomar decisões que definem uma direcção e um desfecho para a história.

O público dará assim corpo ao vento que impiedosamente molda o cenário físico e emocional de duas personagens que, aos poucos, vão perdendo todas as suas referências... até deixarem mesmo de saber quem são!

De 22 a 30 Janeiro 2011
no TEATRO de FERRO
Rua do França, nº 8 / 58
Vila Nova de Gaia (junto ao cais)

GPS N 41.13670º W 008.61382º [WGS 84]



Segunda a Sexta: 10h30 + 15h00
(grupos escolares mediante marcação prévia)

Sábados e Domingos: 16h00 (público geral)

38ª Criação Visões Úteis

um evento-espectáculo a partir do projecto “As histórias de Amélia”

Direcção: Inês de Carvalho

Dramaturgia: Alberta Lemos, Ana Vitorino e Carlos Costa

Interpretação: Ana Vitorino, Carlos Costa e ainda Alberta Lemos (off)

Cenografia e Figurinos: Inês de Carvalho

Desenho de Luz e de Imagem: José Carlos Coelho

Banda sonora original e Sonoplastia: João Martins

Projecto Fotográfico: Paulo Pimenta

Grafismo: entropiadesign a partir de ilustração de Manufactura Independente

Coordenação técnica e Operação: Luís Ribeiro

Produção executiva e Direcção de cena: Joana Neto

 


Classificação etária: M4
Duração: 90 minutos (Oficina + Espectáculo)

Bilhete famílias [2 adultos + 2 crianças]: 5,00€ [adultos] e 2,50€ [crianças]
bilhete crianças: 3,00€
bilhete normal: 7,00€
bilhete com desconto [Estudantes, Profissionais do espectáculo, Maiores de 65 anos, Passaporte Cultural de Gaia]: 5,00€

Informações e Reservas:
22 200 6144 / 93 176 54 75 / Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

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