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Domingo, 16 Janeiro 2011 13:06

O Vento - Estreia Absoluta!

Escrito por Visões Úteis

Depois de um processo de criação que passou por uma recolha de materiais e experiências durante uma viagem a Castilha-La-Mancha e duas semanas de residência criativa na Afurada, está pronto a estrear O VENTO: um evento-espectáculo dirigido aos mais novos e aos adultos que os acompanham, que não se limitam a ver... são convidados a fazer!

Cada apresentação de O VENTO é antecedida por uma oficina criativa dirigida pelos próprios intérpretes que preparam os participantes para intervir directamente no espectáculo com acções performativas de expressão sonora, dramática, plástica e de movimento. Os participantes são ainda chamados a tomar decisões que definem uma direcção e um desfecho para a história.

O público dará assim corpo ao vento que impiedosamente molda o cenário físico e emocional de duas personagens que, aos poucos, vão perdendo todas as suas referências... até deixarem mesmo de saber quem são!

De 22 a 30 Janeiro 2011
no TEATRO de FERRO
Rua do França, nº 8 / 58
Vila Nova de Gaia (junto ao cais)

GPS N 41.13670º W 008.61382º [WGS 84]



Segunda a Sexta: 10h30 + 15h00
(grupos escolares mediante marcação prévia)

Sábados e Domingos: 16h00 (público geral)

38ª Criação Visões Úteis

um evento-espectáculo a partir do projecto “As histórias de Amélia”

Direcção: Inês de Carvalho

Dramaturgia: Alberta Lemos, Ana Vitorino e Carlos Costa

Interpretação: Ana Vitorino, Carlos Costa e ainda Alberta Lemos (off)

Cenografia e Figurinos: Inês de Carvalho

Desenho de Luz e de Imagem: José Carlos Coelho

Banda sonora original e Sonoplastia: João Martins

Projecto Fotográfico: Paulo Pimenta

Grafismo: entropiadesign a partir de ilustração de Manufactura Independente

Coordenação técnica e Operação: Luís Ribeiro

Produção executiva e Direcção de cena: Joana Neto

 


Classificação etária: M4
Duração: 90 minutos (Oficina + Espectáculo)

Bilhete famílias [2 adultos + 2 crianças]: 5,00€ [adultos] e 2,50€ [crianças]
bilhete crianças: 3,00€
bilhete normal: 7,00€
bilhete com desconto [Estudantes, Profissionais do espectáculo, Maiores de 65 anos, Passaporte Cultural de Gaia]: 5,00€

Informações e Reservas:
22 200 6144 / 93 176 54 75 / Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

Domingo, 09 Janeiro 2011 23:05

Workshop de Voz - Nova edição

Escrito por Visões Úteis

Estão abertas as inscrições para a próxima edição do Workshop de Voz pós-laboral dirigido por Marina Freitas. O Workshop vai decorrer entre Fevereiro e Junho e as inscrições estão abertas durante todo o mês de Janeiro.

Este Workshop dirige-se a quem desejar desenvolver capacidades de comunicação, de expressão, projecção e articulação, sendo particularmente útil para todos aqueles que utilizam a voz como a sua principal ferramenta de trabalho.

Formadora: Marina Freitas
Datas: 9 de Fevereiro a 22 de Junho 2011
Horário: 4ª feira das 19h00 às 21h00
Duração: 40 horas
Local: Visões Úteis (Fábrica Social – Fundação José Rodrigues)
Propina do Curso: 20,00€ / inscrição + 5,00€ / seguro
1ª Prestação: 100,00€ (pago no Acto de Inscrição)
2ª Prestação: 100,00€ (pago até 30 de Abril 2011)

O Curso poderá ter um máximo de 7 participantes por turma.
Os participantes deverão ter mais de 18 anos e dominar a língua portuguesa.

Inscrições e Informações:
Telf: 22 200 6144
Tlm: 93 176 54 75E-mail: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

Terça, 28 Dezembro 2010 17:53

A coerência cultural da Câmara do Porto

Escrito por Visões Úteis

Sim, a Câmara Municipal do Porto é coerente.

Em 2002 a Câmara Municipal do Porto iniciou um meticuloso processo de esvaziamento do Teatro Municipal. Nessa mesma altura, e a título de "sinal de boa vontade", disponibilizava às Companhias de Teatro e Dança espaço para depósito de materiais, num armazém na Maia.

Oito anos depois, a CMP apresenta-se sem qualquer política cultural, sem qualquer ligação aos agentes culturais, e a braços com um edifício que há uma década albergava um programa de Teatro Municipal de referência. Por isso a manutenção daqueles metros quadrados cedidos em 2002 só poderia constituir um equívoco ou esquecimento.

Esta situação está a ser finalmente corrigida, ao longo deste mês de Dezembro, com o "despejo" de todas as estruturas de criação e produção artística que ocupavam o referido espaço.

A CMP invoca a necessidade de conter despesas. Mas não era preciso. Bastaria afirmar um desejo de coerência com a sua (falta de) politica cultural ao longo desta década.

A Sua Excelência
Senhora Ministra da Cultura
C/C A Sua Excelência
Senhor Primeiro Ministro

 

Vimos por este modo manifestar a nossa profunda indignação com as declarações do Senhor Eng. João Aidos vindas a lume no jornal Público de 29 de Novembro segundo as quais os orçamentos apresentados à Direcção-Geral das Artes e por ela anteriormente aprovados são sempre inflaccionados (“os orçamentos estão sempre sobredimensionados em 10 a 15 por cento”). É calunioso se o afirma sem conhecer factos concretos, é grave se tem dados e não procede aos devidos ajustes, é demagógico se com isso quer justificar o corte cego e inconsequente para as finanças públicas, é inadmissível se baseia essa afirmação nas suas práticas quando estava "neste lado", como gosta de dizer. Assim, em defesa do nosso bom nome, profissionalismo, sentido da honra, muito agradecemos um desmentido formal por parte de V. Exa. É que, cumprindo nós um serviço público consagrado, não aceitamos ser confundidos, pela tutela e perante a opinião pública, com gente irresponsável, vigarista, ou, como em tempos disse o Presidente Jorge Sampaio, "chico-esperta".

Também nos colheu de surpresa a afirmação que serviu de título à referida entrevista, segundo a qual a presente e grave situação de desinvestimento na cultura e na arte resulta de "uma falta de estratégia política do primeiro-ministro”. Sendo esta a opinião de alguns opositores do Governo, nunca tínhamos pensado que fosse expressa por um Director-Geral, recentemente nomeado por V. Exa, ao que supúnhamos para cumprir uma política do Governo de que o Eng. José Sócrates é o Primeiro Ministro eleito. Sendo assim, terá o Eng. Aidos condições para continuar a exercer o seu cargo? E até quando? É ele ainda o nosso interlocutor, ele que nos considera a nós desonestos e ao Primeiro Ministro desatento das suas obrigações? Até quando?


Perante a tremenda insegurança que as recentes medidas da DGArtes e do MC têm provocado nas nossas actividades, e de forma a conseguirmos uma indispensável tranquilidade para o nosso trabalho, muito gostaríamos de ver esclarecidos estes pontos por V. Exa.

 

Com consideração,

A Direcção do Visões Úteis

 

 

Terça, 23 Novembro 2010 00:11

A Comissão de volta ao Porto!

Escrito por Visões Úteis

Depois de se ter apresentado em Évora e Coimbra, e com apresentações agendadas para Aveiro e Lisboa, a nossa Comissão está de regresso à sala de reuniões do Hotel Dom Henrique no Porto, onde estreou em Maio passado (no âmbito do 33º FITEI). E, sendo a primeira apresentação no dia 24 de Novembro, o espectáculo solidariza-se com a Greve Geral marcada pelas duas centrais sindicais e nesse dia será gratuito para trabalhadores a recibos verdes, desempregados e pessoas que perderam o direito ao abono de família.  

O objectivo da reunião continua a ser a aprovação do Plano de Acção elaborado pelo Comité Executivo (o elenco) a partir do Programa Estratégico, cabendo aos membros da Comissão de Acompanhamento (os espectadores) a delicada missão de decidir a votação.

Reserve já o seu lugar à mesa desta reunião – a lotação é limitada a 20 espectadores por apresentação. O seu voto é importante!

 

de 24 a 28 Novembro  - 22h00

no Hotel Dom Henrique

Rua do Bolhão, 223

(junto ao SiloAuto)

Duração Aproximada: 80 minutos
Classificação Etária: M12
Condições especiais, Info e Reservas: +351 93 176 54 75
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Próximas apresentações:

Dias 2, 3 e 4 de Dezembro às 22h no Estúdio PerFormas / Aveiro

Dias 18 e 19 de Março / 2011 no São Luíz Teatro Municipal /Lisboa (Ciclo de Teatro do Porto no São Luíz)

Segunda, 15 Novembro 2010 00:32

Petição em Defesa do Direito à Cultura

Escrito por Visões Úteis

Na sequência dos cortes orçamentais anunciados pelo Ministério da Cultura e do encontro que levou cerca de 300 agentes culturais ao Teatro São Luíz no passado dia 13, a Plataforma das Artes elaborou o seguinte comunicado e petição pública

Ex.mo Senhor Primeiro Ministro
Ex.ma Senhora Ministra da Cultura
Ex.mos Senhores Deputados da 13ª Comissão Parlamentar


APOIO ÀS ARTES

Considerando que a Cultura é um sector estratégico e estruturante para o país; considerando que a relevância política do Ministério da Cultura no actual Governo é praticamente nula, reflectindo-se num constante desinvestimento que contraria as repetidas promessas públicas do Primeiro Ministro; considerando o papel nuclear das artes na sociedade; considerando que o apoio às artes atribuído pela DGArtes significa apenas 10% do Orçamento para a Cultura e, portanto, 0,03% do Orçamento de Estado (o equivalente a três milímetros numa linha de 10 metros); a Plataforma das Artes toma as seguintes posições:

1 - Não aceitamos o anunciado corte de 23% no montante destinado ao apoio às artes, através da Direcção Geral das Artes. Consideramos que estes cortes, aplicados em contratos em vigor relativos aos apoios quadrienais poderão ser ilegais. Consideramos, porém, que o Ministério da Cultura não realizou esforços suficientes para minimizar estes cortes, esmagadoramente superiores ao corte de 8,8% anunciado para o Orçamento do Ministério da Cultura. Exigimos uma política de diálogo e procura de soluções em conjunto com os agentes culturais. Exigimos que ouçam as nossas ideias.

2 – Não aceitamos um Orçamento de Estado que esvazia o Ministério da Cultura da sua função. Os cortes anunciados no Orçamento do Ministério da Cultura não têm um real impacto no combate ao défice e comprometem irreversivelmente o tecido cultural português.


3 - Não aceitamos a desresponsabilização da Senhora Ministra da Cultura, que imputa ao Ministério das Finanças a responsabilidade dos cortes anunciados. Um governante deve ser responsabilizado pessoalmente pelas medidas que anuncia e aplica.

4 - Não podemos aceitar medidas que são ineficazes na diminuição do défice, mas comprometem o já tão fragilizado tecido cultural português e o direito constitucionalmente consagrado à fruição e criação culturais. Cortar no apoio às artes é cortar nos direitos dos portugueses. Por outro lado, estes cortes terão consequências sociais dramáticas, nomeadamente despedimentos e incumprimentos contratuais, numa área onde os trabalhadores pagam os mesmos impostos que quaisquer portugueses, sem acesso a protecção social.

5 - Exigimos que o Ministério da Cultura cumpra a lei e funcione. Exigimos a abertura dos concursos de apoio a projectos anuais e bienais em todas as áreas, dentro dos prazos legais, abrangendo o mesmo número de estruturas contempladas em 2010. Exigimos igualmente a garantia de abertura de concursos de apoio a projectos pontuais em todas as áreas, nos dois semestres de 2011, reforçando a sua importância no plano da inovação e renovação do tecido artístico. Não podemos aceitar que a Senhora Ministra da Cultura tenha tentado imputar ao sector a responsabilidade pela aplicação dos cortes, numa tentativa de dividir os agentes culturais. Não aceitaremos uma política que se encaminha para a extinção da Direcção Geral das Artes e, em última análise, para a extinção do Ministério da Cultura.

6 – Exigimos a manutenção do sistema de concursos públicos como formato de apoio estatal às artes. Quaisquer alterações ou melhorias, devem sempre pugnar pela democracia, pluralidade, equidade e transparência na aplicação dos dinheiros públicos. Nesse sentido, a Plataforma das Artes compromete-se a, até Maio de 2011, produzir, tornar público e oferecer ao Ministério da Cultura um documento que reúna o máximo de propostas e sugestões para uma nova regulamentação do sistema de apoios às artes.
7 - Exigimos que o Ministério da Cultura produza e torne público, durante a próxima semana, um documento divulgando com clareza, qual a verdadeira execução orçamental de 2010. Quantos foram os milhões de euros não executados e porquê? Exigimos saber quais os critérios que presidem à aplicação de verbas do orçamento para 2011, designadamente a razão de ser de uma diminuição de 23% no apoio à artes e de um aumento de 29% do Fundo de Fomento Cultural. Queremos perceber se existe alguma estratégia de futuro ou políticas culturais claras que orientem a aplicação de dinheiros públicos no sector da Cultura. Duvidamos da vantagem financeira das extinções dos Teatros Nacionais S. João e D. Maria II e respectiva integração na OPART, bem como da extinção da DGLB. Queremos esclarecimentos nesta matéria.

8 - Não aceitamos o papel meramente reactivo a medidas governamentais. A Plataforma das Artes compromete-se com um papel activo de reflexão e acção directa em continuidade, que permita defender uma visão das artes como elemento estruturante da sociedade e motor da cidadania.


APOIO AO CINEMA

Considerando que se anuncia, mas ainda não se assume, um corte de 20% no Programa de apoios financeiros para 2011 do Instituto do Cinema e Audiovisual; considerando que esse corte se justifica em parte pela estimativa em baixa das receitas da publicidade nas Televisões (quebra de 10%) e a outra para pagar a factura da austeridade imposta pela cativação de 10% das receitas próprias do ICA relativas a 2010; considerando que a prometida lei do Cinema a entrar em vigor em 2011 é neste momento uma miragem, uma vez que o Ministério da Cultura, promotor desta Lei, calou-se com a reacção de protesto dos Contribuintes do sistema de Financiamento (operadores de tv, cabo telecoms, plataformas de distribuição de tv, etc); considerando que, com isto, se antevê um ano de 2011 catastrófico para o Cinema; considerando que não se vislumbra qualquer calendário para a aprovação da Lei e para discussão das propostas de redacção alternativa apresentadas pelas associações sectoriais; exigimos da Senhora Ministra da Cultura:

1. Que promova junto do Sr. Ministro das Finanças a descativação de 10% das receitas próprias do ICA de 2010, de forma a minimizar os efeitos profundamente negativos do corte de 20% ainda não assumido pela Sra. Ministra para o Programa de Apoios Financeiros do ICA.

2. Que retome a discussão da Lei do Cinema, a qual foi bem recebida pelo Sector, de forma a apresentá-la e aprová-la na Assembleia da República, para que entre em vigor no mais curto espaço de tempo.


A PLATAFORMA DAS ARTES é constituída por
APR – Associação Portuguesa de Realizadores
Plataforma das Artes Visuais
Plataforma do Cinema
Plataforma do Teatro
PLATEIA associação de profissionais das artes cénicas
REDE associação de estruturas para a dança contemporânea

Terça, 09 Novembro 2010 00:07

O Vento já sopra!

Escrito por Visões Úteis

O VENTO é a nova criação do Visões Úteis e marca também uma nova experiência de trabalho: desta vez o espectáculo é dirigido por uma colaboradora do Visões, a cenógrafa e figurinista Inês de Carvalho, e nasce da sua anterior experiência com o projecto “As histórias de Amélia (criações sobre a abundância)”

O VENTO é um evento espectáculo que deseja tocar diferentes idades, culturas, passados e presentes. É um projecto que almeja a formação de públicos heterogéneos, públicos dinâmicos, através da articulação entre um espaço de oficina (dirigida pelos intérpretes) que antecede um espectáculo aberto à participação. Os participantes são chamados a tomar decisões que definem uma direcção e um desfecho para a história.

O VENTO será construído ao longo de um processo de experimentação e recolha de materiais em que participará toda a equipa de criativos do espectáculo. Este processo iniciou-se na primeira semana de Novembro com uma viagem a Castilla-La-Mancha, em busca dos moinhos e paisagens de Quixote, e continua com uma residência artística na freguesia da Afurada (Vila Nova de Gaia) de 8 a 19 de Novembro. Aqui vamos trabalhar com populações escolares e comunidades para recolher imagens, vídeos, histórias, músicas, enfim, as sementes do espectáculo.

A estreia oficial de O VENTO está agendada para Janeiro de 2011, mas já em Dezembro próximo faremos uma “experiência piloto” na Afurada, contando com a participação das crianças com quem trabalharemos.

Mais notícias em breve!

Na passada sexta-feira, já a meio da tarde, a Senhora Ministra daCultura convocou os artistas do reino, perdão, do país para se apresentarem em Lisboa, na segunda-feira logo pela manhã, e assim tomarem conhecimento do seu Plano de Salvação da Cultura Nacional.
Nesse encontro, para o qual toda a imprensa está desde já convidada, será apresentado um belíssimo número mediático que demonstrará os seguintes pontos:

- A Senhora Ministra demonstrará uma notável abertura ao diálogo com os agentes do sector, apesar de este nunca ter acontecido nem ir acontecer.
- A Senhora Ministra demonstrará que é possível os agentes pronunciarem-se sobre opções do Orçamento Geral do Estado cujo verdadeiro teor tem sido sucessivamente iludido.
- A Senhora Ministra demonstrará a razoabilidade de no orçamento do Ministério com menor peso no O.E. - apenas 0,4% -  haver um corte de 20% a 30% no financiamento de um bem público: a criação artística.
- A Senhora Ministra demonstrará que não tem um papel decorativo no Governo, que não é irrelevante no Conselho de Ministros e que não foi abandonada pelo seu grupo parlamentar.

No final da sessão será aberta uma garrafa de espumante, cortesia de um dos mecenas que a Senhora Ministra acredita poderem salvar a Cultura no reino, perdão, no país.

Infelizmente, no Visões Úteis somos obsessivamente Republicanos, pelo que não estaremos presentes na cerimónia.

 

Sábado, 30 Outubro 2010 14:49

Ao João Paulo Seara Cardoso

Escrito por Visões Úteis

Dizer que sofremos mais uma perda é não dizer nada. Porque “perda” é uma palavra demasiado pequena para este vazio e o João Paulo não era “mais um” em nada. Inconfundível no humor, na provocação, na beleza da escrita, no entusiasmo da criação, na constante insatisfação. E sobretudo na gargalhada.

Esta noite muda a hora. Isto é importante porque amanhã temos hora marcada para nos despedirmos de um amigo. Mas mais importante seria que esta noite terrível que nos vai roubando os amigos passasse de vez, e finalmente chegasse um dia em que não houvesse mais despedidas.

E ouve, João Paulo: É verdade que conseguiste transformar marionetas em actores, mas quantas vezes já te dissemos que o contrário não é possível? Os actores não conseguem ser marionetas, nem mesmo quando isso lhes dá jeito. Porque se saltarem demais ficam tontos, se caírem partem uns ossos, se não comerem desmaiam... E se os deixares sofrem, sentem-se órfãos e choram bem alto com a dor da tua ausência. Estás a ouvir?

Exma. Senhora Dr.ª Maria Gabriela Canavilhas

Ministra da Cultura

 

Ao longo das últimas décadas o Estado Português tem considerado a criação artística – a sua pluralidade e acessibilidade – como um bem público. Assim, e na prossecução deste objectivo, tem entendido financiar agentes privados (artistas e produtores) para que estes possam desenvolver a sua actividade de forma a garantir a referida pluralidade e acessibilidade. A par deste pilar da sua política de apoio às artes, o Estado Português – agora no campo específico das Artes do Espectáculo - tem também desenvolvido esforços – através nomeadamente dos Teatros Nacionais e da (projectada) Rede de Teatros Municipais - no sentido de assumir directamente iniciativas enquanto produtor.

 

Ou seja, tal como em outras áreas, o Estado entende que nem sempre o melhor modo de realizar o bem público é através da sua acção directa. Por isso, e sem prejuízo da sua acção através de estruturas de produção, como as referidas atrás, o Estado entende que a acção dos privados (artistas e produtores) realiza de forma mais adequada e menos dispendiosa o interesse público.

 

Não é por isso verdade que o financiamento a artistas e produtores implique uma demissão do Estado das sua obrigações constitucionais. Trata-se apenas da operacionalização da prestação do serviço público imposto pela Constituição da República.

 

Não é verdade que o financiamento da criação artística – enquanto pilar do sistema de apoio - tenha que tolher a possibilidade de o Estado se assumir como produtor. Antes pelo contrário. Seria de todo desejável um sistema misto em que ao eixo do apoio à criação artística se juntasse um novo eixo, o de uma rede de difusão com capacidade real de (co)produção.

 

Não é verdade que a criação ex novo de “meia dúzia” de Núcleos de Produção Estatais espalhados pelo país possa ter sentido enquanto eixo exclusivo de uma política nacional. Porque todos os modelos – neste caso os Centros Dramáticos espanhóis e franceses – têm um contexto e os contextos não são susceptíveis de importação.

 

Não é verdade que uma solução deste género resolva os conflitos causados pelos concursos públicos do actual modelo. Porque os concursos públicos – com este ou com aquele modelo – terão que continuar a existir enquanto garantes do Estado de Direito em que todos queremos viver. E porque não confundimos as patologias que atacam os procedimentos concursais, com os concursos públicos em si, desde já afirmamos que gostamos de concursos públicos e não gostamos de apoios convencionados.

 

Entendemos que só um sistema que tenha como peça estruturante o apoio directo à criação artística pode garantir a pluralidade inerente ao bem público que o Estado deve fomentar.

 

Entendemos que atirar o apoio directo à criação para uma dimensão residual da política de apoio às artes seria um absurdo que mais não faria do que privilegiar e alargar a teia de mediadores que se interpõe entre artistas e público, entre produtores e consumidores.

 

Finalmente recordamos – e sem querer retirar legitimidade à expressão individual de opinião, de que aqui damos exemplo - que existem em Portugal duas associações formais que representam agentes do sector – A PLATEIA e a REDE. Pelo que a particular legitimação destas entidades, que representam uma pluralidade de indivíduos e estruturas, deverá, nos termos da lei, ser tomada em linha de conta, sempre que se pretenda pensar a política cultural do Estado Português. Porque a política – enquanto conformação do espaço público – é coisa de espaços abertos e participados.

 

Com os melhores cumprimentos,

A Direcção do Visões Úteis

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