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Em Outubro e Novembro este monólogo a partir de Juan José Millàs e interpretado por Pedro Carreira estará em cena em Coimbra, Castelo Branco, Gouveia e Porto

Hoje às 21h30 estamos na Oficina Municipal de Teatro em Coimbra.
Segunda, 21 Junho 2010 16:47

Cidade dos Diários

“Não é medo. É precaução. Ter cuidado. Nunca cheguei atrasada, nunca caí de um escadote, nunca escorreguei da banheira. Nunca morri. Uma vez torci um pé, mas mesmo assim cheguei a horas porque já vinha a contar com isso.”

Uma cidade de diários é um depósito de interpretações contaminadas, uma colecção de impressões erróneas sobre si e sobre o mundo, um conjunto de gestos vãos que lutam contra a transitoriedade e a consciência da minúscula dimensão real de cada vida.
Na “Cidade dos Diários” não se escreve a História do Homem, que incansavelmente avança, mas é nela que porventura encontramos a História dos homens.

... Cidade dos Diários é um pequeno grito para entravar a História “que nos engole”...

Eugénia Vasques
prefácio a Cidade dos Diários, o livro

Sinopse

Estamos numa gare. Cruza-se o espaço a caminho de qualquer lado ou faz-se tempo num espaço de ninguém. Há um cadáver por reclamar. No balcão dos perdidos e achados amontam-se os restos de muitos dias. O homem que apresenta o tempo anda sempre de guarda-chuva e nunca mais chove. Alguém morre e alguém mata.
Estamos a meio de um inquérito. O culpado afinal não tem culpa, mas julga que sim. Já todos esqueceram as vidas que se perderam, menos a vítima que veio de longe. O Chefe quer saber o que se passa. A Luz masca pastilhas mas não consegue deixar de fumar.
Estamos num dia. O Sol está em actividade muito intensa. Caiu o recorde do mundo do salto em altura. Uma desgraça antiga de primeira página acaba em homicídio. Uma mulher tem medo de ficar só.

A Cidade dos Diários estreou a 13 de Maio de 2005 no Balleteatro Auditório no Porto onde fez uma temporada de 13 apresentações.

dramaturgia e direcção
Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins, Pedro Carreira

colaboração na criação dramatúrgica
Nuno Casimiro

banda sonora original, sonoplastia e desenho de som
João Martins

cenografia e figurinos
Ana Luena

desenho de luz e vídeo
José Carlos Coelho

infografismo e media
entropiadesign

elenco
Ana Azevedo (Funcionária), Ana Vitorino (Estrangeira), Carlos Costa (Apresentador da Metereologia), Catarina Martins (Investigadora), Pedro Carreira (Controlador Aéreo) e ainda Miguel Peixoto e Pedro Peixoto (Seguranças) e as vozes de Jorge Mota (Professor) e Jorge Paupério (Chefe)

construção do cenário
A. Grave

confecção dos figurinos
Ana Maria Fernandes

coordenação de montagem
Luís Ribeiro

produção executiva
Marina Freitas

produção
Visões Úteis/TNSJ

Segunda, 21 Junho 2010 16:42

O Contrabaixo

“... Raios te partam! Sempre a atravessar-se no meu caminho, o palerma! São capazes de me dizer como é que um sujeito de trinta e poucos anos, ou seja eu, vive com um instrumento que tudo o que faz é estorvá-lo? ”

Para começar 2005 fizemos teatro a más horas no bar Triplex, para quem aparecesse por lá. E apareceu muita gente para ver as desventuras de um homem e do seu contrabaixo. O instrumento mais importante de uma orquestra. O que parece uma velha gorda.

Sinopse

Numa sala à prova de som, provavelmente o quarto onde vive, um contrabaixista de uma Orquestra Nacional decide contar como é vivida a sua solidão e confidenciar, com ironia amargurada, o seu amor não revelado por uma das sopranos da Ópera. Esta relação platónica encontra no próprio contrabaixo o seu maior obstáculo: instrumento arcaico, que melhor se ouve quanto mais nos afastarmos dele, de aparência hermafrodita, desajeitado e incómodo, o contrabaixo torna-se para este homem no maior empecilho à liberdade e ao amor.
Pelo discurso desta personagem isolada e frustrada, viajamos ainda pela História da música e dos músicos e encontramos uma crítica sagaz à sociedade contemporânea.

O Contrabaixo, na sua versão de sete episódios, estreou a 12 de Janeiro de 2005 no Bar Triplex no Porto. Esta versão foi reposta no Porto em 2006 no Labirintho Bar. Na sua versão alargada, e até ao final de 2013, o espectáculo foi apresentado no Espaço Serv’Artes e na estação de Metro do Bolhão no Porto, e ainda em Vila Real, Vila Nova de Famalicão, Aveiro, Barcelos, Maia, São Mamede de Infesta, Valongo, Leiria, Lisboa, Coimbra, Guarda, Portalegre, Castêlo da Maia, Mira, Viana do Castelo, Figueira da Foz e Setúbal.
Em 2015 o espetáculo apresentou-se pela primeira vez em Espanha, na cidade de Vigo, em versão castelhana. Em 2016 será a vez de Santiago de Compostela, agora em versão portuguesa.

Continua disponível para
itinerância nesta versão alargada.

texto
Patrick Süskind

tradução
Anabela Mendes

dramaturgia e direcção
Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira

direcção musical
João Martins

grafismo
Vítor Azevedo

produção executiva
Marina Freitas

interpretação
Pedro Carreira

e ainda...

João Martins (versão alargada com músico)

João Martins e músicos convidados (versão por episódios)

Segunda, 21 Junho 2010 16:33

Audiowalks

Sobre os audiowalks

Um audiowalk é um passeio sonoro. Um guia áudio que conduz o ouvinte por um determinado percurso. No caso dos audiowalks do Visões Úteis, o percurso é desenhado pela cidade– o espaço público.

Conhecemos o conceito audio-walk em Londres no ano 2000 através de um trabalho da artista canadiana Janet Cardiff - “Missing Voice (case study B)” - que desenhava um percurso por ruas londrinas a pretexto de uma história vagamente policial. Ficámos fascinados pelo meio em si; um espectador solitário põe uns auscultadores, deixa-se conduzir pela voz na gravação do leitor de CD portátil que transporta consigo, e de um momento para o outro é incapaz de distinguir o ruído real do gravado ou de desobedecer à voz que guia os seus passos. Isolado com o seu guia, num mundo sem fronteiras definidas entre realidade e ficção, o espectador/ouvinte abandona-se e deixa-se encantar.
No Visões Úteis acreditamos que as pessoas só ouvem o que já sabem e para que ouçam o que queremos dizer temos de ser capazes de as desconcertar ou embalar. A imersão na ficção que o audio-walk provoca não podia deixar de nos seduzir.

Em 2001 com o projecto Visíveis na Estrada através da Orla do Bosque a ideia de percurso ganhou novos significados. Numa viagem de 10.000 Km por estradas europeias ao encontro de pensadores de diversas áreas, discutimos as ideias de fronteira e de identidade. A viagem, como sempre, é instrumento para a descoberta da “casa”. Importava mais do que nunca criar sobre o nosso local – questionar o nosso aqui e agora.

Nas cidades portuguesas, como em grande parte das cidades europeias, o espaço público está a ser abandonado. No Porto, a nossa casa, 2001 foi o ano de inauguração das praças lisas de granito que ninguém atravessa. E a ideia de audiowalk ganhou assim um novo significado: forçar o olhar sobre as ruas da cidade. O urbanismo, a História, as pedras de cada caminho como parte da identidade colectiva e individual.

Em 2002 quando decidimos criar um audiowalk, o meio que inicialmente nos tinha seduzido já era indissociável dos conceitos de espaço público e identidade. audiowalk é o meio que simultaneamente arranca o espectador à realidade e o liga às ruas que percorre. E é também simultaneamente o espectáculo de teatro em que o público é o protagonista e a banda sonora a que se abandona.

Ao trabalhar estes conceitos paradoxais tudo se vai simplificando. Mais do que paradoxo temos ilusão. O público só é protagonista da sua própria fruição, como em qualquer espectáculo. E a ligação profunda à realidade é completamente manipulada. Tudo é finalmente ficção. Ainda que a ficção seja criada em estreita ligação com o local e inspirada pelas inúmeras vozes reais que habitam o percurso. Só assim a ilusão é possível.

Coma Profundo foi criado em 2002 como objecto único. Sem possibilidade de continuação. Quisemos pensar as ruas da nossa cidade através desta fusão entre teatro, música e urbanismo. Com um andar melancólico – mas nunca saudosista – percorremos as ruas desertas da Foz Velha; zona paradigmática do abandono do espaço público, onde os condomínios fechados vão expulsando os habitantes de sempre. A dramaturgia e a bando sonora são directamente influenciadas pelo espaço e até as personagens são emanações do local. O percurso é o tema, sem nunca sairmos da ficção.

Errare, criado em 2004, é quase um objecto impossível. Fomos pensar ruas distantes - as da cidade de Parma, em Itália. A impossibilidade de tratar o desconhecido criou novos desafios a um objecto que não deixou nunca de ser um meio de reflexão sobre o espaço público e a identidade. Lançámos para as ruas de Parma dois estrangeiros como nós que encontram vestígios de si mesmos em pedras que não são suas. O percurso, a viagem, constrói a descoberta. Basta um olhar atento ao caminho e a disponibilidade para o percorrer.

Em 2006 publicamos o Caderno III do Visões Úteis onde estão os textos destes audiowalks.

Como se processa

O espectador desloca-se ao local de levantamento do equipamento (Coma Profundo: guichet do fiscal do Mercado da Foz, Porto; Errare: IAT – Tourist Office, Parma) e em troca de um documento de identificação recebe um Discman e respectivos auscultadores e inicia uma experiência audio-espacial que o leva a percorrer várias ruas seguindo as instruções que ouve. A viagem a que se submete acontece numa dimensão definida pela paisagem real por onde se desloca e pela paisagem sonora em que imergiu. No fim, regressa ao ponto de partida para devolver o equipamento.

Segunda, 21 Junho 2010 16:20

Errare

“Dove ti trovi?”

Faz de conta que isto é um jogo. Esta cidade construi-a eu. Só eu sei como se chama.
Tu andas por onde eu te disser. Quando chegares ao fim, descobres onde estás.

Um audiowalk em Parma

A relação do Visões Úteis com a cidade de Parma nasceu em 1997 quando, na sequência da selecção para representar Portugal na Bienal de Jovens Artistas da Europa e do Mediterrâneo, a companhia participou no festival de teatro “Anteprima”. Mais tarde, no ano de 2001, e na viagem que integrou o projecto “Visíveis na estrada através da orla do bosque”, Parma foi um ponto de paragem num itinerário físico que, antes de mais, traçava uma viagem de ideias e descobria pontos de contacto nas reflexões de uma diversidade de artistas e intelectuais do nosso continente.

Em ambas as ocasiões foram nossos interlocutores privilegiados os elementos da Fundação Cultural Edison; no primeiro encontro ainda a dar os primeiros passos, no segundo já com um trabalho firmado e diversificado na área da produção cultural, que incluía projectos com nomes grandes como Sebastião Salgado, Emir Kusturica ou Peter Greenaway.
E finalmente, em 2004 surgiu a oportunidade de transformar em colaboração esta empatia pessoal e artística que foi unindo o Visões Úteis à Edison (recentemente rebaptizada de Fundação Solares).

A criação, em co-produção, de um audio-walk original para a cidade de Parma foi o desafio comum. Um desafio que nos atraía especialmente pela especificidade de trabalhar numa cidade que não conhecíamos bem e numa língua que não era a nossa.

Para este trabalho a equipa do Visões Úteis permaneceu em Parma em regime de residência, durante os meses de Abril, Maio e Junho. Mas ainda antes de chegarmos à cidade tínhamos definido a linha dramatúrgica que distinguia essencialmente Errare da anterior experiência com Coma Profundo. O olhar sobre a cidade seria necessariamente um olhar estrangeiro, as impressões recolhidas (da arquitectura, da História, do ambiente deste lugar) seriam necessariamente superficiais. A posição social e politicamente crítica que adoptáramos em Coma Profundo ao reflectirmos sobre a nossa cidade não fazia sentido nesta experiência. Desenvolvemos assim uma narrativa ficcional, uma reflexão ainda sobre a relação entre o homem e o lugar, ainda sobre o lugar da memória, mas agora centrada numa evolução pessoal face a essa reflexão.

Do trabalho desenvolvido ao longo deste meses surgiu ainda um vídeo documental realizado por Michele Putorti - “Errare – Um audio-walk” que já foi exibido em alguns festivais e encontros vídeo.

Sinopse

Em Errare o espectador segue um caminho desenhado pela relação entre duas vozes, duas (id)entidades. A primeira é a de um homem que, ao perceber que começa a perder a memória, decide refugiar-se numa cidade estrangeira e vagabundear até desaparecer. A segunda é a do seu irmão mais novo, que não conhece a cidade e que tenta seguir seus os passos através de uma série de indicações imperfeitas que o irmão lhe deixou, assumindo o espectador como seu cúmplice.
O caminho percorrido parece não fazer sentido, mas a cidade estrangeira transforma-se no território onde se vai questionando o próprio processo de construção da memória.

Errare estreou em Parma, no centro da cidade, a 5 de Novembro de 2004, com a seguinte ficha artística e técnica:

direcção e dramaturgia
Ana Vitorino, Carlos Costa e Catarina Martins

paisagem sonora e engenharia de som
João Martins

co-dramaturgia
Nuno Casimiro

assistência aos textos em italiano
Francesca Tagliavini, Giorgia Rivoira, Laura Bianchoni, Maria Antónia Reis

vozes
Alberto Branca (Ele) e Claudio Guain (Irmão)
e também as vozes de Anastasio Ferrari (Homem velho), Reanda Cavalli (Mulher velha), Massimilano Di Liberto (Homem jovem), Giancarlo Ilari (Engenheiro), Velia Sicuri (Benita velha), Paola Crecchi (Benita jovem), Francesco Colla, Gianluca Zuin, Sergio Simonazzi (Prisioneiros), Pedro Carreira (Imigrante jovem), Francesca Tagliavini (Mulher ao telefone), Isabella Borettini (Funcionária do aeroporto), João Martins, Dalia Castagnetti, Laura Borrini, Roberto Tinelli, Filippo Battistella, Mario Ponzi, Stefano Caselli (Vozes na rua) e as crianças de “Villa Ghidini” (Sandro e os amigos)

Versão inglesa

tradução
Ana Vitorino e Catarina Martins

vozes
Carlos Costa (Ele) e Pedro Carreira (Irmão)
e também as vozes de João Madeira (Homem jovem), Edgard Fernandes (Engenheiro), Fernando Moreira (Imigrante Jovem), Catarina Martins (Mulher ao telefone), Siglinde Alberti (Funcionária do aeroporto) e Nick Redgrave (Estrangeiro na rua).

coordenação de produção
Sergio Simonazzi

coordenação de produção em Portugal
Pedro Carreira

Uma co-produção Visões Úteis/Fondazione Culturale Edison

Errare contém citações de entrevistas contidas nas obras "Ragazze dei borghi in tempo di guerra" de Marco Minardi e "Immigrazione e Convivenze nel quartiere Oltretorrente di Parma" de Marco Deriu e Vincenze Pellegrino e de um soneto de Fernando Pessoa contido na obra “Poemas Ingleses” (para a edição foi citada a tradução de Jorge de Sena, Edições Ática). A banda sonora contém registos de ensaios da Orquestra e Coro do Teatro Régio de Parma.

Projecto com a colaboração de Ufficio Informazione ed Accoglienza Turistica, Monasterio di S. Giovanni Evangelista e Libreria Battei.

Segunda, 21 Junho 2010 16:14

O Inimigo

“Eu proponho uma revolução contra a mentira de que a maioria tem o monopólio da verdade. Quais são as verdades que a maioria normalmente apoia? São verdades tão antigas que já começam a ruir. E se uma verdade é assim tão antiga está no bom caminho para se tornar uma mentira, meus senhores.”

Em 2003 lançámo-nos com unhas e dentes ao “Inimigo do Povo”, prontos para descobrir o que é que de tão relevante, actual e provocante permanecia neste texto do fim do séc. XIX e, sobretudo, como é que poderíamos partir dele para criar o nosso “Inimigo”. Tentámos olhar para a obra de Ibsen como se a estivéssemos a ler pela primeira vez. E foi então que o encontrámos. Um pouco dissimulado pela imagem que anteriores montagens da peça e comentários ao trabalho de Ibsen nos foram dando, ali estava o inimigo de que queríamos falar.

Sinopse

Uma pequena cidade vê a sua vida económica florescer quando decide investir na construção de uma estância termal. Mas o espírito harmonioso e optimista que une os seus cidadãos é subitamente abalado quando o médico oficial das Termas faz uma inesperada descoberta: a água está poluída e é uma verdadeira fonte de doenças. Forçados a optar entre o encerramento do próspero negócio termal e a defesa da saúde pública, os diferentes grupos de interesse começam a posicionar-se num jogo de influências e manipulações, onde a verdade e a ética parecem ser secundárias.

O Inimigo estreou a de 2004 na Casa das Artes de Famalicão. Para além de Famalicão esteve também no Porto num total de 13 apresentações.

direcção e dramaturgia
Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira (a partir da tradução inglesa de R. Farquharson Sharp)

cenografia, adereços e figurinos
Paulo Soares

desenho de luz
José Carlos Coelho

banda sonora original e sonoplastia
João Pedro Martins

interpretação
Ana Azevedo, Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira

design gráfico
Vítor Azevedo

coordenação de montagem e operação de luz
Luís Ribeiro

confecção de figurinos
Branca Elísio

produção executiva
Marina Freitas

produção
Visões Úteis

Segunda, 21 Junho 2010 16:01

667, O Vizinho da Besta

“...são outras coisas, são pequenas coisas, as luzes baixas, as cortinas corridas..”

Para falar do mal partimos do normal.
Partimos de um conceito de normalidade pelo qual pautamos o discurso e a postura das personagens, bem como o ambiente plástico e sonoro que as rodeia. Falamos da normalidade enquanto imagem daquilo que é socialmente definido e aceite, imagem à qual por vezes nos agarramos, histericamente, artificialmente, quando tudo à nossa volta (ou dentro de nós) parece questionar quem somos e o modo como nos relacionamos. Exploramos os falsos equilíbrios que criamos diariamente quando a dor e a dúvida se tornam demasiado pesadas, quando tentamos adiar um problema que atinge o coração da nossa imensa fragilidade.

Sinopse

O habitante do número 667 daquela rua era um homem absolutamente normal: pai de família, bom profissional, empreendedor. Apenas uma coisa perturbava o doce correr dos seus dias: a estranheza que emanava da casa ao lado, o aspecto bizarro e as movimentações suspeitas do seu vizinho.
Este vizinho do lado transforma-se lentamente na personificação de todo o mal. O seu aspecto e as suas acções são-nos transmitidos pelos olhos de 667 que o observa fascinado, quase com obsessão, a partir de sua casa.
Assim, enquanto nos deixamos seduzir pelo mistério da casa ao lado, enquanto somos atraídos pela possibilidade de nela residir o mal de todos os males, a nossa atenção é tentada a desviar-se do homem que na realidade se vai revelando: 667, o nosso “espião”, é um homem à beira da ruptura, incapaz de aguentar a pressão da família e do trabalho. A “paz” no seio do seu lar, que nos vai sendo apresentada, assenta em tédio e frustração.
Será a “casa ao lado” o refúgio do Diabo, figura essencial para a paz de espírito do homem “normal” / pai de família? Ou apenas um espelho da sua própria hipocrisia e da crescente disfunção na sua vida familiar?

Co-produção com o Rivoli – Teatro Municipal
Estreou a 21 de Junho de 2003 no Teatro Municipal Rivoli no Porto. Além do Porto foi apresentado em Coimbra e Vila Real num total de 15 apresentações.

direcção, dramaturgia e texto
Ana Vitorino, Carlos Costa e Catarina Martins

espaço cénico e figurinos
Paulo Soares

banda sonora original e sonoplastia
João Martins

desenho de luz
José Carlos Coelho

apoio ao processo de escrita
Nuno Casimiro

interpretação
Ana Azevedo, Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Fernando Moreira

design gráfico
Vitor Azevedo/DeC

direcção técnica
Pedro Carreira

produção executiva
Ágata Marques Fino

produção
Visões Úteis

Segunda, 21 Junho 2010 15:44

Coma Profundo

“Uma companhia sonora para caminhantes solitários.”

Há uma mulher que parece estar a seguir as pistas. A registá-las e a ouvi-las, uma e outra vez. A agarrar-se a elas como um náufrago a uma prancha de madeira.
Se nos deixarmos inundar talvez consigamos perceber...

Um audiowalk no Porto

Ao longo do ano de 2001, com o projecto “Visíveis na Estrada através da Orla do Bosque”, o Visões Úteis abordou pela primeira vez a questão do espaço público, exprimindo em palco uma sentida apreensão em relação a este tempo de grandes cidades forradas a granito frio e vias rápidas, onde a palavra comunidade vai perdendo significado. Utilizámos impressões que nos foram transmitidas por pessoas como o arquitecto Daniel Libeskind (que ainda antes do 11 de Setembro dizia que um empresário instalado no cimo de uma torre espelhada de Wall Street imaginava-a indestrutível, como um romano imaginaria indestrutíveis as grandiosas obras do seu império) ou o cineasta Theo Angelopoulos (que avisava: Todos os Impérios caem quando se tornam arrogantes).

Já no início de 2002, no texto “Um Monólogo” de Gregory Motton, que levámos à cena como parte do espectáculo “Celebração”, a reflexão estendeu-se à arrogância com que o Homem trata o que a História lhe lega, julgando-se melhor só porque hoje está vivo.

O desenvolvimento destes temas, a sua ligação intrínseca, trouxe-nos a Coma Profundo, um projecto que tenta reflectir sobre o modo como lidamos com a morte do homem e a morte do espaço, ou seja, como lidamos com a nossa memória individual e colectiva.

Atravessamos um espaço como um local utilitário, ignorando, activa ou passivamente, que ele foi parte da vida de milhões de homens antes de nós. Desprezamos a vida, o trabalho, os erros de todos os que nos precederam na vã convicção de que somos melhores, faremos melhor. Desprezamos a memória dos homens mortos. Desprezá-los ajuda a adiar a consciência da nossa própria efemeridade, da nossa própria capacidade de errar, da possível futilidade de todas as nossas grandes certezas e aspirações. Vamos esquecendo e construindo de novo, cada vez maior e mais alto, para que a marca agora seja indelével, como se a História a nós não nos apanhasse. Vamos fazendo planos, e Deus vai-se rindo.

Coma Profundo cumpre-se com a confrontação directa, física, do público com a cidade que habitamos e sobre a qual reflectimos. Definimos um percurso numa zona antiga da cidade do Porto. Antiga num sentido muito diferente do pitoresco de um guia turístico. Aqui não há um microcosmos histórico conservado para deleite voyeurístico. Pensamos que estamos ainda a mover-nos na cidade que habitamos e de repente deixamos de ver pessoas, deparamo-nos com elementos que parecem fora do contexto, cuja utilização ou razão de existir nos escapa. Os carros investem por ruas onde parecem não caber. Uma igreja permanece de portas abertas e bancos vazios, como um homem de braços estendidos para acolher um amigo que já não vem. Quase nos convencemos que não habita ali ninguém, não fosse o som de rádio que ocasionalmente se escapa de uma casa ou a roupa estendida ao sol aqui e ali.

Sinopse

Seguimos as indicações do guia. Um homem pragmático que domina o nome das ruas e a cronologia das construções. Um homem que executa uma tarefa. Mas é uma voz feminina que nos faz verdadeiramente mergulhar no espaço que atravessamos. Uma mulher que recolhe impressões como se fossem pistas. Uma mulher que procura fazer uma cartografia do impreciso.
Aqui tudo cheira a passado, um passado que se vai desfazendo aos poucos, nem amado nem odiado, deixado ali a morrer como um parente idoso no quarto dos fundos. De vez um quando uma casa restaurada e com aspecto de valer muitos milhões no mercado imobiliário tenta contradizer-nos, diz-nos que alguém quer hoje viver ali. Mas rapidamente percebemos que não é ali que se quer viver, é atrás de um muro alto, num qualquer sétimo andar com vista para o mar. As ruas, essas, continuam desertas.

Percorremos essas ruas e é difícil acreditar que estamos em pleno Porto, Porto dos Shoppings um-maior-que-o-outro, Porto dos estádios para o EURO-2004. E no entanto, duas ou três ruas acima, mesmo ali ao lado, sem sabermos bem onde se deu a mudança, eis que aparece, essa cidade nova que avança e nos aponta o seu exército de gruas, e já estamos cercados por uma fiada ininterrupta de automóveis furiosos, e já as pessoas atravessam o espaço correndo, mesmo quando se arrastam de dores e cansaço.

Como podem persistir estas duas realidades lado a lado? Alguma terá de prevalecer; em breve precisaremos também desse bocadinho de espaço. Já não basta ignorar o passado e deixá-lo desvanecer-se ao ritmo do esquecimento - não temos tempo! - será necessário agir. A cidade nova estenderá mais um dos seus braços brancos e transformará a morte abandonada em vida amortalhada.

No centro desta nova cidade que cresce sem cessar, sentados numa das suas inúmeras rotundas, largos sem vida rodeados de movimento incessante, vemos o betão e o granito que ameaçam conquistar o último centímetro de terra e de memória e sentimo-nos infinitamente sós. Sentimo-nos infinitamente pequenos no meio do novo império que ajudamos diariamente a construir e que, como todos os outros, cairá pela sua arrogância.

Coma Profundo estreou no Porto, na Foz Velha, em 11 de Outubro de 2002, com a seguinte ficha artística e técnica:

definição e documentação geográfica
João Martins e Nuno Casimiro

direcção e dramaturgia
Ana Vitorino, Carlos Costa e Pedro Carreira

colaboração na dramaturgia
Nuno Casimiro

paisagem sonora e engenharia de som
João Martins
(Todos os temas compostos por João Martins excepto extractos do Segundo Concerto de Brandenburgo de J. S. Bach e da Valsa nº 10 de Frederic Chopin)

vozes
Ana Vitorino (ela) e Carlos Costa (guia)
e também as vozes de Pedro Carreira (voz rádio taxi e contador de histórias), Arsélio Martins (homem), Fernando Tavares (jornalista de rádio), Fernando Moreira (carpinteiro), Alzira Matos (mulher), Jorge Paupério (locutor), José Reis (professor), Catarina Antunes (rapariga 1), Cláudia Escaleira (rapariga 2), Carla Carvalho (jornalista de televisão), Ágata Fino, Alexandra Martins, Catarina Martins, Edgard Fernandes, Fernando Moura, Inês Ramos, João Martins, Jorge Marques, Manuela Lopes, Mariana Ricca, Nuno Casimiro, Paulo Lobo, Paulo Neves, Reinaldo Moura da Costa, Rosa Amélia Martins e Susana Monteiro (vozes na rotunda)

Versão Inglesa

tradução
Ana Vitorino e Carlos Costa (revista por Catarina Martins e Nick Redgrave)

vozes
Ana Vitorino (ela) e Carlos Costa (guia)
e também as vozes de Pedro Carreira (Voz rádio táxi e narração sobre Carpinteiro e sobre Jornalista da rádio), Arsélio Martins (homem), João Madeira (Contador de histórias), Thomas Scanlon (locutor) e Catarina Martins (narração sobre Jornalista da televisão)

grafitti
Marcolin/Ermit

projecto fotográfico
Paulo Pimenta

design gráfico
Vítor Azevedo/DeC

bilheteira
Luís Neves

produção executiva
Ágata Marques Fino

produção
Visões Úteis

Segunda, 21 Junho 2010 15:35

Qual é coisa, qual é sombra?

“Vou construir uma torre muito alta
Para chegar até ao céu
E ver o que se passa com o sol”

A convite do Rivoli, criámos com crianças do Bairro de Aldoar um espectáculo para atirar os medos para trás das costas. E no mês de trabalho diário com aqueles meninos tentámos atirar pela janela do teatro o quotidiano duro e escondido onde habitam, esperando que mesmo depois de as luzes apagadas um qualquer raio de sol as continue a acompanhar.

Co-Produção com a Culturporto/Rivoli-Teatro Municipal no âmbito do Projecto Bairros.
Estreou a 18 de Abril de 2002 no Rivoli no Porto onde teve 3 apresentações.

texto, direcção e concepção
Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira

espaço cénico
Paulo Soares

banda sonora original e sonoplastia
Gustavo Costa

operação de som
Gustavo Costa

operação de luz
(Rivoli)

interpretação
Ana Vitorino, Augusto Pereira, Carla Pinto, Carlos Costa, Catarina Martins, Daniel Oliveira, Diogo Fernandes, Flávio Ribeiro, Hélder Mendes, Joana Inês Oliveira, Joana Mafalda Neves, Lúcia Pereira, Marisa Macieira, Pedro Carreira, Vanessa Pinho e Vanessa Teixeira

produção executiva
Ágata Marques Fino

Segunda, 21 Junho 2010 15:29

Celebração

“Esta celebração interminável. Vai ser a minha morte.”

“Celebração” parte de dois textos: “Eu que servi o Rei de Inglaterra” do checo Bohumil Hrabal (adaptado) e “A Monologue” do inglês Gregory Motton. De um lado, um homem prepara a mesa onde será servida uma grande refeição. Do outro, um homem senta-se dignamente à mesa saboreando a sua refeição. A imagem pode ser enganadora ­ o primeiro prepara-se para seguir o exemplo dos homens bem sucedidos que até aí serviu, e o segundo é de facto um condenado à morte.
Dois monólogos que representam as duas faces daquele momento em que o mundo se divide entre os que celebram e os que são marginalizados ou mesmo eliminados.

Estreou a 22 de Março de 2002 no Tzero.com.palco no Porto. Além do Porto, foi apresentada em Vila Real, Espinho, Aveiro, Maia e Paços de Brandão num total de 30 apresentações.

direcção
Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira

concepção plástica
Paulo Soares

construção cenográfica
Pedro Leitão e Vau Produções

confecção de figurinos
Branca Elísio

banda sonora original e sonoplastia
João Martins

desenho de luz
José Carlos Coelho

design gráfico
Vitor Azevedo

operação som e luz
Ana Vitorino

produção executiva
Ágata Marques Fino

"Eu que servi o Rei de Inglaterra" de Bohumil Hrabal

tradução
Ludmila Dismanová e Mário Gomes

adaptação
Ana Vitorino

interpretação
Carlos Costa

"Um Monólogo" de Gregory Motton

tradução
Carlos Costa

interpretação
Pedro Carreira

Pág. 23 de 25

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