Visões Úteis

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Criações

Criações

Desde 1994, o Visões Úteis criou cerca de 40 espectáculos de teatro e criou também para outros suportes, designadamente audiowalks, pelo que apresentamos parte deste trabalho como Performance na Paisagem.

“Subir aquele rio era como viajar até aos primórdios do mundo. Um rio deserto, um enorme silêncio, uma floresta impenetrável. Nenhuma alegria no brilho do sol.”

O Resto do Mundo é a segunda produção do projecto “A Caminho do Resto do Mundo”, uma reflexão sobre o nosso tempo e lugar a partir da escrita de Joseph Conrad.

Inspirados por “Heart of Darkness”, um texto que é sobretudo conhecido pela adaptação ao cinema de Francis Ford Coppola - Apocalypse Now -,  criamos um espectáculo num táxi perdido no Azevedo, o Porto para lá da circunvalação, a cidade onde não se vai.

O Resto do Mundo é um espectáculo de teatro in itinere, que dá continuidade aos audio-walks criados pelo Visões Úteis, bem como a uma reflexão – sobre a paisagem urbana – que atravessou todo o século XX - desde Dadaístas e Surrealistas, passando pelos Situacionistas e pela Land Art.

Estreou a 25 de Maio de 2007 no FITEI.

Sinopse

Marlow relata a sua viagem, rio acima, na direcção do mais remoto dos entrepostos comerciais. À medida que sobe o rio confronta-se, de forma violenta, não só com as trevas que pressente para lá das margens mas sobretudo com aquelas que vai cartografando no coração dos homens.

Evocando a recordação de Marlow, um taxista erra pela cidade ao encontro das suas trevas.

O Resto do Mundo
a partir de “Heart of Darkness” de Joseph Conrad

dramaturgia e direcção
Ana Vitorino, Carlos Costa e Catarina Martins

pesquisa e documentação geográfica
João Martins e Nuno Casimiro

colaboração na dramaturgia
Nuno Casimiro

banda sonora original e sonoplastia
João Martins

interpretação
Carlos Costa e Pedro Carreira

direcção técnica
entropiadesign

vídeo e documentário
Pedro Maia

projecto fotográfico
Paulo Pimenta

produção executiva
Marina Freitas e Cristiana Morais

Última modificação em Quinta, 01 Setembro 2011 15:19

“No fundo da alma, bem lá no fundo do Subterrâneo, rimo-nos do sofrimento.
O que não nos impede de sermos desgraçadamente infelizes.”

Em S. Bento da Vitória, bem no fundo do Mosteiro, ao lado do poço do elevador, perto das gotas de água que incessantemente se escutam, enclausurou-se o "homem do subterrâneo". Em Setembro de 1995, no fim do 1º ano de existência do Visões Úteis, pudemos ouvi-lo num monólogo, quase diálogo com o público. Com este espectáculo passámos para um outro plano de reconhecimento por parte da cidade; não sabemos se por termos conseguido resistir a um ano de actividade, se porque neste texto se expunha a má consciência de todos quantos o fizeram e a ele assistiram. O certo é que resultou.

Estreou a 8 de Setembro de 1995 no Mosteiro de São Bento da Vitória no Porto. Além do Porto foi apresentada em Aveiro, Coimbra, Évora, Braga, Almada, Tondela e Montemor-o-Velho e em 16 estabelecimentos prisionais no âmbito do Projecto Liberdades num total de 68 apresentações.

texto
Fiodor Dostoievski

tradução
Aurora Aranha

encenação
Paulo Castro

cenário e grafismo
Eduardo Loio

figurinos
Preciosa Afonso

desenho de luz
Paulo Castro

música
Albrecht Loops (banda sonora original) e Johann Sebastian Bach

sonoplastia
Albrecht Loops

fotografia
Limamil

montagem
Serafim Ribeiro

operação de luz e som
J.P. Lima/Carlos Costa/Paulo Rodrigues/Ana Vitorino

interpretação
Nuno Cardoso

coordenação de produção
Catarina Martins

produção executiva
Nuno Cardoso, Carlos Costa e Pedro Carreira

Última modificação em Segunda, 21 Junho 2010 16:06

Sobre os audiowalks

Um audiowalk é um passeio sonoro. Um guia áudio que conduz o ouvinte por um determinado percurso. No caso dos audiowalks do Visões Úteis, o percurso é desenhado pela cidade– o espaço público.

Conhecemos o conceito audio-walk em Londres no ano 2000 através de um trabalho da artista canadiana Janet Cardiff - “Missing Voice (case study B)” - que desenhava um percurso por ruas londrinas a pretexto de uma história vagamente policial. Ficámos fascinados pelo meio em si; um espectador solitário põe uns auscultadores, deixa-se conduzir pela voz na gravação do leitor de CD portátil que transporta consigo, e de um momento para o outro é incapaz de distinguir o ruído real do gravado ou de desobedecer à voz que guia os seus passos. Isolado com o seu guia, num mundo sem fronteiras definidas entre realidade e ficção, o espectador/ouvinte abandona-se e deixa-se encantar.
No Visões Úteis acreditamos que as pessoas só ouvem o que já sabem e para que ouçam o que queremos dizer temos de ser capazes de as desconcertar ou embalar. A imersão na ficção que o audio-walk provoca não podia deixar de nos seduzir.

Em 2001 com o projecto Visíveis na Estrada através da Orla do Bosque a ideia de percurso ganhou novos significados. Numa viagem de 10.000 Km por estradas europeias ao encontro de pensadores de diversas áreas, discutimos as ideias de fronteira e de identidade. A viagem, como sempre, é instrumento para a descoberta da “casa”. Importava mais do que nunca criar sobre o nosso local – questionar o nosso aqui e agora.

Nas cidades portuguesas, como em grande parte das cidades europeias, o espaço público está a ser abandonado. No Porto, a nossa casa, 2001 foi o ano de inauguração das praças lisas de granito que ninguém atravessa. E a ideia de audiowalk ganhou assim um novo significado: forçar o olhar sobre as ruas da cidade. O urbanismo, a História, as pedras de cada caminho como parte da identidade colectiva e individual.

Em 2002 quando decidimos criar um audiowalk, o meio que inicialmente nos tinha seduzido já era indissociável dos conceitos de espaço público e identidade. audiowalk é o meio que simultaneamente arranca o espectador à realidade e o liga às ruas que percorre. E é também simultaneamente o espectáculo de teatro em que o público é o protagonista e a banda sonora a que se abandona.

Ao trabalhar estes conceitos paradoxais tudo se vai simplificando. Mais do que paradoxo temos ilusão. O público só é protagonista da sua própria fruição, como em qualquer espectáculo. E a ligação profunda à realidade é completamente manipulada. Tudo é finalmente ficção. Ainda que a ficção seja criada em estreita ligação com o local e inspirada pelas inúmeras vozes reais que habitam o percurso. Só assim a ilusão é possível.

Coma Profundo foi criado em 2002 como objecto único. Sem possibilidade de continuação. Quisemos pensar as ruas da nossa cidade através desta fusão entre teatro, música e urbanismo. Com um andar melancólico – mas nunca saudosista – percorremos as ruas desertas da Foz Velha; zona paradigmática do abandono do espaço público, onde os condomínios fechados vão expulsando os habitantes de sempre. A dramaturgia e a bando sonora são directamente influenciadas pelo espaço e até as personagens são emanações do local. O percurso é o tema, sem nunca sairmos da ficção.

Errare, criado em 2004, é quase um objecto impossível. Fomos pensar ruas distantes - as da cidade de Parma, em Itália. A impossibilidade de tratar o desconhecido criou novos desafios a um objecto que não deixou nunca de ser um meio de reflexão sobre o espaço público e a identidade. Lançámos para as ruas de Parma dois estrangeiros como nós que encontram vestígios de si mesmos em pedras que não são suas. O percurso, a viagem, constrói a descoberta. Basta um olhar atento ao caminho e a disponibilidade para o percorrer.

Em 2006 publicamos o Caderno III do Visões Úteis onde estão os textos destes audiowalks.

Como se processa

O espectador desloca-se ao local de levantamento do equipamento (Coma Profundo: guichet do fiscal do Mercado da Foz, Porto; Errare: IAT – Tourist Office, Parma) e em troca de um documento de identificação recebe um Discman e respectivos auscultadores e inicia uma experiência audio-espacial que o leva a percorrer várias ruas seguindo as instruções que ouve. A viagem a que se submete acontece numa dimensão definida pela paisagem real por onde se desloca e pela paisagem sonora em que imergiu. No fim, regressa ao ponto de partida para devolver o equipamento.

Última modificação em Terça, 30 Novembro 1999 00:00

“Proibida a entrada a quem não andar espantado de existir.”

Na nossa segunda produção teatral brincámos com os monstros debaixo da cama e fizemos cabanas. Fomos crianças de novo e deparámo-nos com questões que mesmo hoje, enquanto adultos, não somos capazes de responder: por que caminho vamos? O que é real e o que é ilusão? Que mundo queremos afinal? O que é mais belo?

A partir do texto homónimo de José Gomes Ferreira brincámos com os filhos e quisemos piscar o olho aos pais.

Estreou a 16 de Junho de 1995 no Teatro Sá da Bandeira no Porto. Além do Porto, foi apresentada em Coimbra num total de 23 apresentações.

texto
José Gomes Ferreira

encenação
Nuno Cardoso

dramaturgia
Visões Úteis

preparação vocal
Cristina Faria

cenário e figurinos
Eduardo Loio e Nuno Cardoso

banda sonora original e sonoplastia
Albrecht Loops

desenho de luz
Nuno Cardoso

concepção gráfica
Eduardo Loio

fotografia
J. P. Lima

confecção de figurinos
Paula Ventura

operação de luz
Serafim Ribeiro/Nuno Cardoso

operação de som
Catarina Martins

interpretação
Alexandra Lobato, Ana Vitorino, Carlos Costa, Maria João Jorge e Pedro Carreira

produção executiva
Catarina Martins

Última modificação em Segunda, 21 Junho 2010 16:06
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O Visões Úteis é uma estrutura financiada

Ministério da CulturaDireção Geral das Artes

O Visões Úteis é membro

Plateia - Associação dos Profissionais das Artes Cénicas IETM - International Network for Contemporary Performing Arts Anna Lindh Foundation

Visões Úteis é associado

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