Visões Úteis

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Criações

Criações

Desde 1994, o Visões Úteis criou cerca de 40 espectáculos de teatro e criou também para outros suportes, designadamente audiowalks, pelo que apresentamos parte deste trabalho como Performance na Paisagem.

Sobre os audiowalks

Um audiowalk é um passeio sonoro. Um guia áudio que conduz o ouvinte por um determinado percurso. No caso dos audiowalks do Visões Úteis, o percurso é desenhado pela cidade– o espaço público.

Conhecemos o conceito audio-walk em Londres no ano 2000 através de um trabalho da artista canadiana Janet Cardiff - “Missing Voice (case study B)” - que desenhava um percurso por ruas londrinas a pretexto de uma história vagamente policial. Ficámos fascinados pelo meio em si; um espectador solitário põe uns auscultadores, deixa-se conduzir pela voz na gravação do leitor de CD portátil que transporta consigo, e de um momento para o outro é incapaz de distinguir o ruído real do gravado ou de desobedecer à voz que guia os seus passos. Isolado com o seu guia, num mundo sem fronteiras definidas entre realidade e ficção, o espectador/ouvinte abandona-se e deixa-se encantar.
No Visões Úteis acreditamos que as pessoas só ouvem o que já sabem e para que ouçam o que queremos dizer temos de ser capazes de as desconcertar ou embalar. A imersão na ficção que o audio-walk provoca não podia deixar de nos seduzir.

Em 2001 com o projecto Visíveis na Estrada através da Orla do Bosque a ideia de percurso ganhou novos significados. Numa viagem de 10.000 Km por estradas europeias ao encontro de pensadores de diversas áreas, discutimos as ideias de fronteira e de identidade. A viagem, como sempre, é instrumento para a descoberta da “casa”. Importava mais do que nunca criar sobre o nosso local – questionar o nosso aqui e agora.

Nas cidades portuguesas, como em grande parte das cidades europeias, o espaço público está a ser abandonado. No Porto, a nossa casa, 2001 foi o ano de inauguração das praças lisas de granito que ninguém atravessa. E a ideia de audiowalk ganhou assim um novo significado: forçar o olhar sobre as ruas da cidade. O urbanismo, a História, as pedras de cada caminho como parte da identidade colectiva e individual.

Em 2002 quando decidimos criar um audiowalk, o meio que inicialmente nos tinha seduzido já era indissociável dos conceitos de espaço público e identidade. audiowalk é o meio que simultaneamente arranca o espectador à realidade e o liga às ruas que percorre. E é também simultaneamente o espectáculo de teatro em que o público é o protagonista e a banda sonora a que se abandona.

Ao trabalhar estes conceitos paradoxais tudo se vai simplificando. Mais do que paradoxo temos ilusão. O público só é protagonista da sua própria fruição, como em qualquer espectáculo. E a ligação profunda à realidade é completamente manipulada. Tudo é finalmente ficção. Ainda que a ficção seja criada em estreita ligação com o local e inspirada pelas inúmeras vozes reais que habitam o percurso. Só assim a ilusão é possível.

Coma Profundo foi criado em 2002 como objecto único. Sem possibilidade de continuação. Quisemos pensar as ruas da nossa cidade através desta fusão entre teatro, música e urbanismo. Com um andar melancólico – mas nunca saudosista – percorremos as ruas desertas da Foz Velha; zona paradigmática do abandono do espaço público, onde os condomínios fechados vão expulsando os habitantes de sempre. A dramaturgia e a bando sonora são directamente influenciadas pelo espaço e até as personagens são emanações do local. O percurso é o tema, sem nunca sairmos da ficção.

Errare, criado em 2004, é quase um objecto impossível. Fomos pensar ruas distantes - as da cidade de Parma, em Itália. A impossibilidade de tratar o desconhecido criou novos desafios a um objecto que não deixou nunca de ser um meio de reflexão sobre o espaço público e a identidade. Lançámos para as ruas de Parma dois estrangeiros como nós que encontram vestígios de si mesmos em pedras que não são suas. O percurso, a viagem, constrói a descoberta. Basta um olhar atento ao caminho e a disponibilidade para o percorrer.

Em 2006 publicamos o Caderno III do Visões Úteis onde estão os textos destes audiowalks.

Como se processa

O espectador desloca-se ao local de levantamento do equipamento (Coma Profundo: guichet do fiscal do Mercado da Foz, Porto; Errare: IAT – Tourist Office, Parma) e em troca de um documento de identificação recebe um Discman e respectivos auscultadores e inicia uma experiência audio-espacial que o leva a percorrer várias ruas seguindo as instruções que ouve. A viagem a que se submete acontece numa dimensão definida pela paisagem real por onde se desloca e pela paisagem sonora em que imergiu. No fim, regressa ao ponto de partida para devolver o equipamento.

Última modificação em Terça, 30 Novembro 1999 00:00

“Proibida a entrada a quem não andar espantado de existir.”

Na nossa segunda produção teatral brincámos com os monstros debaixo da cama e fizemos cabanas. Fomos crianças de novo e deparámo-nos com questões que mesmo hoje, enquanto adultos, não somos capazes de responder: por que caminho vamos? O que é real e o que é ilusão? Que mundo queremos afinal? O que é mais belo?

A partir do texto homónimo de José Gomes Ferreira brincámos com os filhos e quisemos piscar o olho aos pais.

Estreou a 16 de Junho de 1995 no Teatro Sá da Bandeira no Porto. Além do Porto, foi apresentada em Coimbra num total de 23 apresentações.

texto
José Gomes Ferreira

encenação
Nuno Cardoso

dramaturgia
Visões Úteis

preparação vocal
Cristina Faria

cenário e figurinos
Eduardo Loio e Nuno Cardoso

banda sonora original e sonoplastia
Albrecht Loops

desenho de luz
Nuno Cardoso

concepção gráfica
Eduardo Loio

fotografia
J. P. Lima

confecção de figurinos
Paula Ventura

operação de luz
Serafim Ribeiro/Nuno Cardoso

operação de som
Catarina Martins

interpretação
Alexandra Lobato, Ana Vitorino, Carlos Costa, Maria João Jorge e Pedro Carreira

produção executiva
Catarina Martins

Última modificação em Segunda, 21 Junho 2010 16:06

“Dove ti trovi?”

Faz de conta que isto é um jogo. Esta cidade construi-a eu. Só eu sei como se chama.
Tu andas por onde eu te disser. Quando chegares ao fim, descobres onde estás.

Um audiowalk em Parma

A relação do Visões Úteis com a cidade de Parma nasceu em 1997 quando, na sequência da selecção para representar Portugal na Bienal de Jovens Artistas da Europa e do Mediterrâneo, a companhia participou no festival de teatro “Anteprima”. Mais tarde, no ano de 2001, e na viagem que integrou o projecto “Visíveis na estrada através da orla do bosque”, Parma foi um ponto de paragem num itinerário físico que, antes de mais, traçava uma viagem de ideias e descobria pontos de contacto nas reflexões de uma diversidade de artistas e intelectuais do nosso continente.

Em ambas as ocasiões foram nossos interlocutores privilegiados os elementos da Fundação Cultural Edison; no primeiro encontro ainda a dar os primeiros passos, no segundo já com um trabalho firmado e diversificado na área da produção cultural, que incluía projectos com nomes grandes como Sebastião Salgado, Emir Kusturica ou Peter Greenaway.
E finalmente, em 2004 surgiu a oportunidade de transformar em colaboração esta empatia pessoal e artística que foi unindo o Visões Úteis à Edison (recentemente rebaptizada de Fundação Solares).

A criação, em co-produção, de um audio-walk original para a cidade de Parma foi o desafio comum. Um desafio que nos atraía especialmente pela especificidade de trabalhar numa cidade que não conhecíamos bem e numa língua que não era a nossa.

Para este trabalho a equipa do Visões Úteis permaneceu em Parma em regime de residência, durante os meses de Abril, Maio e Junho. Mas ainda antes de chegarmos à cidade tínhamos definido a linha dramatúrgica que distinguia essencialmente Errare da anterior experiência com Coma Profundo. O olhar sobre a cidade seria necessariamente um olhar estrangeiro, as impressões recolhidas (da arquitectura, da História, do ambiente deste lugar) seriam necessariamente superficiais. A posição social e politicamente crítica que adoptáramos em Coma Profundo ao reflectirmos sobre a nossa cidade não fazia sentido nesta experiência. Desenvolvemos assim uma narrativa ficcional, uma reflexão ainda sobre a relação entre o homem e o lugar, ainda sobre o lugar da memória, mas agora centrada numa evolução pessoal face a essa reflexão.

Do trabalho desenvolvido ao longo deste meses surgiu ainda um vídeo documental realizado por Michele Putorti - “Errare – Um audio-walk” que já foi exibido em alguns festivais e encontros vídeo.

Sinopse

Em Errare o espectador segue um caminho desenhado pela relação entre duas vozes, duas (id)entidades. A primeira é a de um homem que, ao perceber que começa a perder a memória, decide refugiar-se numa cidade estrangeira e vagabundear até desaparecer. A segunda é a do seu irmão mais novo, que não conhece a cidade e que tenta seguir seus os passos através de uma série de indicações imperfeitas que o irmão lhe deixou, assumindo o espectador como seu cúmplice.
O caminho percorrido parece não fazer sentido, mas a cidade estrangeira transforma-se no território onde se vai questionando o próprio processo de construção da memória.

Errare estreou em Parma, no centro da cidade, a 5 de Novembro de 2004, com a seguinte ficha artística e técnica:

direcção e dramaturgia
Ana Vitorino, Carlos Costa e Catarina Martins

paisagem sonora e engenharia de som
João Martins

co-dramaturgia
Nuno Casimiro

assistência aos textos em italiano
Francesca Tagliavini, Giorgia Rivoira, Laura Bianchoni, Maria Antónia Reis

vozes
Alberto Branca (Ele) e Claudio Guain (Irmão)
e também as vozes de Anastasio Ferrari (Homem velho), Reanda Cavalli (Mulher velha), Massimilano Di Liberto (Homem jovem), Giancarlo Ilari (Engenheiro), Velia Sicuri (Benita velha), Paola Crecchi (Benita jovem), Francesco Colla, Gianluca Zuin, Sergio Simonazzi (Prisioneiros), Pedro Carreira (Imigrante jovem), Francesca Tagliavini (Mulher ao telefone), Isabella Borettini (Funcionária do aeroporto), João Martins, Dalia Castagnetti, Laura Borrini, Roberto Tinelli, Filippo Battistella, Mario Ponzi, Stefano Caselli (Vozes na rua) e as crianças de “Villa Ghidini” (Sandro e os amigos)

Versão inglesa

tradução
Ana Vitorino e Catarina Martins

vozes
Carlos Costa (Ele) e Pedro Carreira (Irmão)
e também as vozes de João Madeira (Homem jovem), Edgard Fernandes (Engenheiro), Fernando Moreira (Imigrante Jovem), Catarina Martins (Mulher ao telefone), Siglinde Alberti (Funcionária do aeroporto) e Nick Redgrave (Estrangeiro na rua).

coordenação de produção
Sergio Simonazzi

coordenação de produção em Portugal
Pedro Carreira

Uma co-produção Visões Úteis/Fondazione Culturale Edison

Errare contém citações de entrevistas contidas nas obras "Ragazze dei borghi in tempo di guerra" de Marco Minardi e "Immigrazione e Convivenze nel quartiere Oltretorrente di Parma" de Marco Deriu e Vincenze Pellegrino e de um soneto de Fernando Pessoa contido na obra “Poemas Ingleses” (para a edição foi citada a tradução de Jorge de Sena, Edições Ática). A banda sonora contém registos de ensaios da Orquestra e Coro do Teatro Régio de Parma.

Projecto com a colaboração de Ufficio Informazione ed Accoglienza Turistica, Monasterio di S. Giovanni Evangelista e Libreria Battei.

Última modificação em Quinta, 01 Setembro 2011 15:19

“Lembras-te Claire?
Nós as duas… debaixo da árvore… os pés ao Sol?
Lembras-te Claire?”

Lembramo-nos muito bem! Porque foi o primeiro trabalho do Visões. Porque foi difícil. Porque era Genet. Porque valeu a pena e nos deu força para continuar. Porque jogámos nos opostos… que se tocam. Porque começávamos com flores e acabávamos com fogo. Porque descobrimos que éramos capazes.

Estreou a 27 de Janeiro de 1995 no Teatro Sá da Bandeira no Porto. Além do Porto, foi apresentada em Coimbra e Aveiro e em Parma e Turim (Itália) num total de 24 apresentações.

texto
Jean Genet

tradução
Luiza Neto Jorge

encenação
Paulo Lisboa

cenografia, grafismo e figurinos
Eduardo Loio

banda sonora original e sonoplastia
Albrecht Loops

desenho de luz
Eugénia Calado

fotografia
Susana Paiva

operação de luz
Maria Simões/Ana Vitorino

operação de som
Catarina Martins

montagem
Serafim Ribeiro e João Silva

preparação vocal
Cristina Faria

interpretação
Carlos Costa, Nuno Cardoso e Pedro Carreira

produção executiva
Catarina Martins

Última modificação em Segunda, 21 Junho 2010 16:06
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Disponível para Itinerância

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