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Da Bélgica seguimos para Inglaterra onde estivemos com Gregory Motton e Ramin Gray, em Londres. Depois França, para o encontro com Joseph Danan em Paris. O esperado encontro com Emir Kusturica, em Espanha, não é possível. Amanhã regressamos ao Porto, depois de um mês de viagem e mais de 10.000 Km percorridos por estradas europeias.

 

 

Atravessámos o Canal da Mancha de barco no dia 30 de Maio.

Nos dias 31 de Maio e 1 de Junho estivemos em Inglaterra com o encenador Ramin Gray que é Internacional Associate do Arts Council no Royal Court Theatre e com quem discutimos os caminhos da dramaturgia europeia contemporânea, nomeadamente os temas e as formas utilizadas pelos dramaturgos que trabalham com o Royal Court, quer na produção de espectáculos, quer participando em workshops de escrita teatral em locais diversos da Europa, Ásia, Médio-Oriente e África. O RCT recebe uma média de 3000 textos de teatro por ano oriundos de todos os cantos do mundo. Falámos ainda dos temas que interessam aos escritores de teatro que interagem com o RCT e da importância de criar uma dramaturgia que privilegie o que é local como meio de levar as pessoas a assistir a espectáculos que de facto lhes interessem e simultaneamente atingir uma universalidade nos temas.

Ramin Gray estabeleceu ainda uma ponte para o autor Gregory Motton de quem já encenou a peça "Message for the broken hearted". Em Setembro de 2000 o Visões úteis deslocou-se a Londres para trabalhar com Gregory Motton nesse mesmo texto e agora nos dias 31 de Maio e 1 de Junho o reencontro foi uma oportunidade para debater temas como a sua visão do estado do mundo e do papel do artista enquanto responsável pela mudança do estado das coisas ao invés de participar numa celebração sem fundamento; a arte deve ser celebração da vida, mas quando essa celebração não signifique pactuar com a mentira. Discutimos ainda a ideia de que a Inglaterra assume um papel histórico de combater a homogeneidade da Europa, o que segundo Gregory Motton é uma forma de preservar a própria ideia de Europa.

No dia 2 de Junho apanhámos o barco de Dover para Calais e fomos para Paris onde, no dia 3 de Maio, nos encontrámos com o escritor, encenador e professor de dramaturgia na Sorbonne, Joseph Danan. Com ele tivemos uma conversa que encaixou perfeitamente na sequência dos dois convidados anteriores alargando a conversa a uma visão mais global do teatro nos últimos 100 anos e igualmente uma visão mais "continental" da dramaturgia contemporânea europeia e das "linhas de força" desse mesmo teatro. Danan deu-nos ainda a sua visão optimista da evolução da cultura europeia, não no caminho de uma "americanização", mas de uma evolução fundada na diversidade europeia.

Para finalizar esta viagem tínhamos a possibilidade de estar com o realizador e músico Emir Kusturika. Tal não foi possível por o mesmo se encontrar em fase de lançamento do seu último filme, "Super 8 Stories", e estar também ele numa viagem que não se pôde cruzar com a nossa. Assim sendo fizemos uma paragem em San Sebastian de onde partiremos de regresso ao Porto no dia 5 de Junho.

 

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imagens ©Visões Úteis
Ramin Gray, Londres
Joseph Danan, Paris

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