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Na Bélgica estivemos em Antuérpia onde conversámos com a actriz Sara de Roo da Companhia de Teatro STAN e em Bruxelas onde estivemos com Vasco Graça Moura e apresentámos este projecto à Comissão do Parlamento Europeu para a Cultura, Juventude, Educação , Media e Desporto. Entre Antuérpia e Bruxelas ainda demos um salto de novo à Alemanha para ouvir uma conferência de Daniel Libeskind em Aachen.

 

 

Atravessámos a Alemanha em direcção à Bélgica por auto-estrada. A diluição das fronteiras é tal que dificilmente percebemos que no caminho atravessamos a Holanda. Só as placas na auto-estrada asseguram que vamos mudando de país.

Em Antuérpia, dia 27 de Maio, encontrámo-nos com a Sara de Roo na sede dos Stan. Foram três horas de conversa em que comparámos realidades teatrais, métodos de trabalho, fronteiras quotidianas. Os Stan fazem teatro um pouco por toda a Europa Ocidental, e têm necessidade de constantemente abrir o leque de locais onde apresentam o seu trabalho para que se possam expor às maiores e mais diversificadas influências e críticas - para terem a certeza que não trabalham em circuito fechado. E como falam uma língua minoritária na Europa - o flamengo - optam por fazer espectáculos em francês e inglês para realmente chegarem às pessoas dos países que visitam. Paradoxalmente nunca fizeram espectáculos na parte francesa da Bélgica, nem conhecem as companhias que lá trabalham. Sara diz que a separação feroz entre Flamengos e Valões já não tem sentido, mas a verdade é que essa é ainda uma fronteira bem marcada.

No dia seguinte fomos à Alemanha, a uma terra a 150 Km de Antuérpia, Aachen, onde Daniel Libeskind dava uma conferência. E isto é o que significa estar no centro da Europa. Estar a uma hora de carro (ou menos) de outros 4 ou 5 países europeus.

A conferência de Daniel Libeskind em Aachen no dia 28 de Maio versava sobre o papel da arquitectura na afirmação da cidade. Libeskind falou sobre a sua visão da ligação entre edifícios e cultura apoiando-se em material de projectos seus de museus (já abertos ao público, em construção e ainda só em projecto).Tivemos o privilégio de o ouvir falar de muitos temas ligados ao nosso projecto, e simultaneamente ver o resultado prático da forma de pensar e agir deste arquitecto de excepção. Particularmente interessante foi a forma como falou da morte das cidades e da nossa incapacidade hoje, quando olhamos por exemplo de uma janela de um arranha-céus nova-iorquino, imaginar que tudo o que vemos caminha para a ruína. Os romanos também eram incapazes de imaginar o Coliseu em ruínas...

Dia 29 de Maio estivemos em Bruxelas no edifício do Parlamento Europeu.

Almoçámos com Vasco Graça Moura com quem conversámos sobre vários temas, do teatro (a realidade portuguesa, repertórios) às instituições europeias (os braços de ferro entre países, a abertura a novos países) e aos novos imigrantes de leste, mas sobretudo das pontes entre vários povos e da imagem que um povo tem de si mesmo, nomeadamente os portugueses e a relação dos emigrantes portugueses espalhados pela Europa com a imagem que têm do seu país natal.

À tarde assistimos à sessão da Comissão do Parlamento Europeu para a Cultura, Juventude, Educação, Media e Desporto, onde se discutiu, entre outros assuntos, um importante relatório sobre a cooperação cultural na União Europeia. Nessa mesma sessão fizemos uma apresentação do nosso projecto em que falámos do grupo, da nossa ideia de teatro, do nosso projecto deste ano, dos entraves que encontrámos para a sua concretização, e das fronteiras que fomos descobrindo ao longo desta viagem.
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imagens ©Visões Úteis
Sara de Roo, Antuérpia
Parlamento Europeu, Bruxelas

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