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[ 20 a 23 de Maio ]

PERDIDOS NO BOSQUE ATRAVÉS DA ORLA DA ESTRADA

 

De Veria a Igoumenitsa, a vontade de conhecermos a fronteira albanesa, uma porta dos fundos da Europa, leva-nos à montanha agreste e deserta. O deslumbramento e a falta de indicações conduzem-nos a estradas cada vez mais secundárias, esburacadas, pejadas de pedras e troncos, destroços de alguma tempestade. Finalmente, o alcatrão desaparece por completo, bem como qualquer vestígio de civilização. Aparentemente, saímos do mapa.
A ideia de estarmos perdidos no bosque através da orla da estrada exerce o fascínio de alguma bruxa de Blair. Ainda assim, o barco para Itália parte às seis da tarde e o regresso pelas mesmas estradas não será fácil. Optámos pela fuga em frente, até nos sentirmos realmente perdidos e pararmos a carrinha. À volta, só há montanhas e um pedaço de bosta de vaca indiciando alguma presença humana. Ao longe, um riacho e o barulho de um motor cada vez mais próximo até se transformar num conjunto de motards que imediatamente se oferecem para nos ajudar. Afinal, ainda estamos no mapa grego e a pista de todo o terreno durará apenas(!) mais uma hora de viagem com algumas paragens para não atropelar uma ou outra pequena tartaruga tentando atravessar a estrada.
Com alguma felicidade voltámos ao alcatrão e conseguimos embarcar a tempo para a curta viagem até Bari.
Verona surge no mapa apenas para dormirmos. O objectivo é chegar a Munique para contactar com a cineasta Leni Riefensthal. Mais uma vez, as dificuldades com a ligação à internet impedem-nos de confirmar a desejada conversa. Suspirámos pelas melhoras do débil estado de saúde da artista e por uma qualquer ligação à rede.
Já na Alemanha, a notícia que temíamos: o estado de saúde de Riefensthal deteriorou-se. Supomos que a artista não viverá muito mais tempo. O telefone do escritório está desactivado há quinze dias e por e-mail informam-nos que ninguém nos receberá.
O percalço, transforma o escriba em turista acidental, às voltas por Munique. Entre igrejas e praças de encher o olho, há um mercado a céu aberto, com flores, fruta, chá e queijos. Um festival de cores e cheiros que destoa da detestável comida germânica. Até o Mc Donald’s tem um sabor mais desagradável que em Portugal.
À noite, assistimos à final da Liga dos Campeões por um pequeno televisor na esplanada de um café. Durante o jogo, é impossível perceber o resultado na apatia dos espectadores. Terminado o desafio, com a vitória do Bayern local, a populaça dispersa rapidamente e começam finalmente a ouvir-se as comemorações na rua, com carros buzinando por entre alguns cachecóis e bandeiras.
Sensivelmente o mesmo que em Portugal mas com mais BMW do que Renault Clio.

 

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imagem © Visões Úteis
entre Veria e Igoumenitsa

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