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[ 8 e 9 de Maio ]

SUPER 8 STORIES SEM ECO

 

Em Milão, rege-nos ainda a esperança de conversar com Umberto Eco. Manhã cedo e já no centro da cidade, fazemos um último telefonema para o estúdio U. E. Do outro lado da linha, a secretária informa que o senhor Eco estará fora de Milão nos quinze dias seguintes.

Porca miséria!

Decidimos então descobrir o centro da cidade antes de avançarmos para Parma. Juntámo-nos à horda de turistas que paira por todo o lado e passeámos junto à catedral, ao Scala, à Avenida Dante. Aí descobrimos um pequeno palanque do Partido Radicali de Emma Bonino, onde diferentes oradores se sucedem discursando ininterruptamente. Pouca gente abranda o passo para ouvi-los mas a imagem é sedutora. Improvisámos um encontro com Emma Bonino para as quatro da tarde, altura em que esta dará algumas entrevistas aos jornalistas.
À hora prevista, a mais conhecida euro deputada italiana surge com um aspecto tão saudável que suscita dúvidas sobre a sua greve de fome (então com seis dias), despachando assessores e jornalistas a uma velocidade impressionante.
Concedeu-nos cinco minutos de conversa sobre o acto heróico da greve de fome, a diferença entre compromisso e comprometimento, a necessidade de escolher lados, de identificar oprimidos e opressores, agredidos e agressores, assumindo uma pose de Prometeu.
Seguimos imediatamente para Parma, ao encontro da Cooperativa Edison, segundo ponto de estudo da viagem.
Recebem-nos como velhos amigos, com pizza e vinho.
No dia seguinte, a conversa séria e a visita guiada às instalações com direito à projecção, especialmente para nós, de “Super 8 stories”, o último filme de Emir Kusturica, co-produzido pela Edison. A cooperativa está instalada ao fundo de uma rua um pouco afastada do centro, em dois edifícios de uma antiga casa de campo recuperada, entre campos relvados e habitação social. Têm os necessários escritórios, um auditório para teatro e cinema, sala de exposições e ainda alguns quartos para albergar os convidados. Dedicam-se à produção e realização de eventos culturais multidisciplinares, do cinema às artes plásticas, música e teatro.
Falam-nos do trabalho com nomes importantes da cultura europeia como Bernardo Bertolucci, Marco Belllochio, Cesare Zavattini, Dennis Hopper, Wim Wenders, Fernando Solanas, Emir Kusturica, Peter Weir, Peter Greenaway e outros.
Comentam a situação política italiana e europeia, a guerra nos Balcãs e o “exílio” de Kusturica. Reafirmam continuamente a satisfação de ultrapassar fronteiras entre as várias artes, colaborando com gente de diversos países. Mostram-nos como é possível chegar mais longe e tratam-nos com a mais sincera amizade.
De repente, somos bastante mais que sete pessoas numa carrinha à procura de outras pela Europa e a partida é um princípio de regresso.

 

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imagem © Visões Úteis
Partido Radical, Milão

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