Dizer que sofremos mais uma perda é não dizer nada. Porque “perda” é uma palavra demasiado pequena para este vazio e o João Paulo não era “mais um” em nada. Inconfundível no humor, na provocação, na beleza da escrita, no entusiasmo da criação, na constante insatisfação. E sobretudo na gargalhada.
Esta noite muda a hora. Isto é importante porque amanhã temos hora marcada para nos despedirmos de um amigo. Mas mais importante seria que esta noite terrível que nos vai roubando os amigos passasse de vez, e finalmente chegasse um dia em que não houvesse mais despedidas.
E ouve, João Paulo: É verdade que conseguiste transformar marionetas em actores, mas quantas vezes já te dissemos que o contrário não é possível? Os actores não conseguem ser marionetas, nem mesmo quando isso lhes dá jeito. Porque se saltarem demais ficam tontos, se caírem partem uns ossos, se não comerem desmaiam... E se os deixares sofrem, sentem-se órfãos e choram bem alto com a dor da tua ausência. Estás a ouvir?
Exma. Senhora Dr.ª Maria Gabriela Canavilhas
Ministra da Cultura
Ao longo das últimas décadas o Estado Português tem considerado a criação artística – a sua pluralidade e acessibilidade – como um bem público. Assim, e na prossecução deste objectivo, tem entendido financiar agentes privados (artistas e produtores) para que estes possam desenvolver a sua actividade de forma a garantir a referida pluralidade e acessibilidade. A par deste pilar da sua política de apoio às artes, o Estado Português – agora no campo específico das Artes do Espectáculo - tem também desenvolvido esforços – através nomeadamente dos Teatros Nacionais e da (projectada) Rede de Teatros Municipais - no sentido de assumir directamente iniciativas enquanto produtor.
Ou seja, tal como em outras áreas, o Estado entende que nem sempre o melhor modo de realizar o bem público é através da sua acção directa. Por isso, e sem prejuízo da sua acção através de estruturas de produção, como as referidas atrás, o Estado entende que a acção dos privados (artistas e produtores) realiza de forma mais adequada e menos dispendiosa o interesse público.
Não é por isso verdade que o financiamento a artistas e produtores implique uma demissão do Estado das sua obrigações constitucionais. Trata-se apenas da operacionalização da prestação do serviço público imposto pela Constituição da República.
Não é verdade que o financiamento da criação artística – enquanto pilar do sistema de apoio - tenha que tolher a possibilidade de o Estado se assumir como produtor. Antes pelo contrário. Seria de todo desejável um sistema misto em que ao eixo do apoio à criação artística se juntasse um novo eixo, o de uma rede de difusão com capacidade real de (co)produção.
Não é verdade que a criação ex novo de “meia dúzia” de Núcleos de Produção Estatais espalhados pelo país possa ter sentido enquanto eixo exclusivo de uma política nacional. Porque todos os modelos – neste caso os Centros Dramáticos espanhóis e franceses – têm um contexto e os contextos não são susceptíveis de importação.
Não é verdade que uma solução deste género resolva os conflitos causados pelos concursos públicos do actual modelo. Porque os concursos públicos – com este ou com aquele modelo – terão que continuar a existir enquanto garantes do Estado de Direito em que todos queremos viver. E porque não confundimos as patologias que atacam os procedimentos concursais, com os concursos públicos em si, desde já afirmamos que gostamos de concursos públicos e não gostamos de apoios convencionados.
Entendemos que só um sistema que tenha como peça estruturante o apoio directo à criação artística pode garantir a pluralidade inerente ao bem público que o Estado deve fomentar.
Entendemos que atirar o apoio directo à criação para uma dimensão residual da política de apoio às artes seria um absurdo que mais não faria do que privilegiar e alargar a teia de mediadores que se interpõe entre artistas e público, entre produtores e consumidores.
Finalmente recordamos – e sem querer retirar legitimidade à expressão individual de opinião, de que aqui damos exemplo - que existem em Portugal duas associações formais que representam agentes do sector – A PLATEIA e a REDE. Pelo que a particular legitimação destas entidades, que representam uma pluralidade de indivíduos e estruturas, deverá, nos termos da lei, ser tomada em linha de conta, sempre que se pretenda pensar a política cultural do Estado Português. Porque a política – enquanto conformação do espaço público – é coisa de espaços abertos e participados.
Com os melhores cumprimentos,
A Direcção do Visões Úteis
A abertura oficial do projecto "Viagens com Alma", promovido pela Diocese do Porto e no âmbito do qual o Visões Úteis desenvolverá um conjunto de intervenções artísticas, está agendada para o dia 27 de Outubro. O evento de abertura inclui a apresentação de uma curta-metragem realizada por Michele Putortì e uma performance inspirada nos próprios cruzamentos artísticos e históricos que marcam todo o projecto: um Live Act com imagens e música misturadas em tempo real a preencher o claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória.A performance inicia-se com uma actuação do Ensemble de música antiga “Mi Contra Fa” – voz, flautas, e viola de mão– que interpretará peças que serão, posteriormente, misturadas pelo músico polaco Michal Jacaszek enquanto o cineasta Pedro Maia combina a música com a projecção de imagens suas.
O trabalho do autor e produtor de música elctroacústica de origem polaca, Jacaszek, combina sons preparados electronicamente com instrumentos acústicos. A sua música é um projecto ambicioso através do qual pretende criar uma linguagem musical única, pessoal e reconhecível na qual a manipulação electrónica dos sons gravados enriquecerá os instrumentos acústicos tradicionais. Pedro Maia apresentará nesta performance conjunta uma variante do seu projecto Super 8 Series. Trabalhando directamente sobre a película e tendo como ponto de partida um tipo de exploração visual resultante da interacção dos quadros vibrantes e de padrões abstractos, a intervenção pretende explorar os limites sensoriais da repetição e da abstracção.
Entrada Livre
Dia 27 de Outubro às 22h
Mosteiro de São Bento da Vitória
(Rua de São Bento da Vitória - Porto)
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Concepção - Ana Vitorino e Carlos Costa
Música – Ensemble “Mi contra Fa” (Magna Ferreira-voz / Pedro Sousa Silva-flautas / Hugo Sanches-viola de mão) e Michal Jacaszek
Imagem - Pedro Maia
Vídeo Inicial – Michele Putortì
Espaço Cénico - Inês de Carvalho
Desenho de luz e Direcção técnica - José Carlos Coelho
Assistência Técnica - Luís Ribeiro
Grafismo - Entropiadesign a partir de imagem de Ricardo Lafuente
Produção Executiva - Joana Neto
Assistência de Produção - Helena Madeira
Produção - Visões Úteis para a Diocese do Porto / 2010
Colaboração - Teatro Nacional São João
O Visões Úteis agradece a colaboração do Professor José Abreu.
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+Info
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(+351) 22 200 6144 / 93 176 5475
Encontre-nos, se estiver por perto, com dois espectáculos “portáteis” que este mês apresentamos em Portugal e na Galiza!
As desventuras de um homem e do seu contrabaixo voltam à cena este mês!
Depois de vários anos na estrada, o “instrumento mais importante da orquestra, aquele que parece uma velha gorda”, faz duas apresentações no Tertúlia Castelense.
Dias 14 e 15 de Outubro às 23h00 (abertura de portas às 22h)
Tertúlia Castelense
Rua Augusto Nogueira da Silva, nº779
Castêlo da Maia
Pela primeira vez em território internacional, os “Adúlteros” inspirados na escrita de Juan José Millás apresentam-se na Coruña, integrando a programação do FIOT 2010 – Festival Internacional Outono de Teatro.
Dia 17 de Outubro às 21h00
Pazo da Cultura
Rúa do Pan, s/n, 15.100 Carballo - A Coruña
Galiza
As aulas de teatro com a Ana Azevedo e o workshop de voz com a Marina Freitas têm nova edição ao longo do ano lectivo de 2010/2011. Sempre nas instalações do Visões Úteis na Fábrica Social. As inscrições decorrem até ao final de Setembro:
WORKSHOP DE VOZ
Formadora: Marina Freitas
Datas: 7 de Outubro 2010 a 3 de Março 2011
Horário: 5ª feira das 19h00 às 21h00
Duração: 40 horas
Local: Visões Úteis – Fábrica Social
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Propina do Curso: 20,00€ (inscrição) + 5,00€ (seguro)
1ª Prestação: 100,00€ (pago no Acto de Inscrição)
2ª Prestação: 100,00€ (pago até 31 de Janeiro 2011)
As inscrições estão abertas a todos os interessados que tenham mais de 18 anos, dominem a língua portuguesa e utilizem a voz como ferramenta de trabalho na sua vida profissional.
O workshop será reconhecido por um Certificado de Participação.
Inscrições e Informações:
Visões Úteis Rua da Fábrica Social, s/n 4000-201 Porto
Telf. 22 200 6144 | Tlm. 93 176 54 75 |
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Marina Freitas nasceu no Porto em 1979. É licenciada em Teatro / Estudos Teatrais com especialização em voz pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto. Teve formação na área de voz com as seguintes pessoas: Maria João Serrão, António Salgado, Maria Luís França e Luís Madureira. Lecciona cursos de voz falada desde 2003.
AULAS DE TEATRO:
Formadora: Ana Azevedo
Datas: 1 de Outubro 2010 a 30 de Junho 2011
Horário: 6ª feira das 18h30 às 20h00
Duração: 1h30 / semana
Local: Visões Úteis – Fábrica Social
...Propina do Curso: 10,00€ / inscrição (seguro incluído) + 20,00€ / mês
O Curso poderá ter um máximo de 10 participantes por turma.
As inscrições estão abertas a todos os interessados que tenham mais de 14 anos, com pouca ou sem experiência.
O workshop será reconhecido por um Certificado de Participação, entregue a todos os formandos que o frequentarem.
Inscrições e Informações:
Visões Úteis Rua da Fábrica Social, s/n 4000-201 Porto
Telf. 22 200 6144 | Tlm. 93 176 54 75 |
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Ana Azevedo formada no Balleteatro, Escola Profissional de Teatro do Porto e com pós-graduação em Texto Dramático da Faculdade de Letras do Porto. Frequentou, também, o Curso Superior de Tecnologias da Comunicação Audiovisual. Exerce a actividade de professora de teatro no Balleteatro e coordenadora do Serviço Educativo da Companhia Visões Úteis, onde também participa em alguns projectos como actriz.
Esta semana os "Adúlteros Desorientados" andam na estrada! No Norte e no Sul:
Dia 23 Setembro às 23h00 no TERTULIA CASTELENSE
(Rua Augusto Nogueira da Silva, 779, MAIA)
...Telf: 22 982 9425
Entrada: 5,00€ (oferta de cortesia, inclui uma bebida até 2,00 euros)
Dia 24 Setembro às 23h30 no CABARET MAXIME
(Praça da Alegria, 58 LISBOA)
Telf: 21 346 7090
Bilhetes: 6,00€
“E os adúlteros e as adúlteras que, neste preciso momento, levam a cabo o seu trabalho febril (...) criam uma rede na qual se apoia o resto das contradições que moldam a realidade. A mim, a todos nós, adúlteros e adúlteras esforçados, a sociedade deve-nos tudo.”
“Adúlteros Desorientados”, adaptação da obra “Cuentos de adúlteros desorientados” de Juan José Millás, é mais uma incursão do Visões Úteis no teatro portátil — um monólogo divertido para um público descontraído mas exigente, concebido para possibilitar a relação directa entre criadores e público.
Texto: Juan José Millás; Dramaturgia, direcção e concepção plástica: Ana Vitorino, Carlos Costa e Catarina Martins; Banda sonora original: João Martins; Desenho de Luz: José Carlos Coelho; Interpretação: Pedro Carreira
M16 / Duração: 40 minutos
Esta semana estamos em Coimbra, a convite do Teatrão, com os espectáculos:
BOOM & BANG | Oficina Municipal do Teatro (Tabacaria)| 16 de Setembro | Quinta | 22h
A COMISSÃO | Hotel Ibis | 17 de Setembro | Sexta | 21h30
Preço dos bilhetes: € 5
Oficina Municipal do Teatro - R. Pedro Nunes, Qta. da Nora, 3030-199 Coimbra
Hotel Ibis - Avenida Emídio Navarro 70, 3000-150 Coimbra
Informações e reservas: 239 714013 / 914 617 383
Visões Úteis was invited by the Fédération des Sites Clunisiens to create a multidisciplinary installation which opened in Cluny in September 2010 during the event “Toute l’Europe à Cluny”. This installation integrated contributions of 15 local partners from cluniac sites in 4 countries that the team had previously visited.
Cluny’s past influence in the cultural, political, geographical and spiritual areas was crucial to the definition of the very idea of Europe, and the dilemmas of the Order of Cluny mirror the ones of today’s European Union – how to maintain unity when territory expands, how to enforce a set of rules in a diversity of cultures, how to conciliate the cultural and spiritual aspects with material needs. This parallel, and the importance of the immaterial heritage beyond the stones of the remaining patrimony, were the project’s main themes.
The installation The Language of Stones ran from the 7th to the 12th of September 2010, having received more than 700 spectactors from all nationalities.
Em 1997 viajámos pela mão do António Feio à Ilha do Corvo, numa adaptação (sua) de um texto de Martin McDonagh. Um texto simultaneamente comovente e hilariante, um trabalho com muitas risadas garantidas.
Primeiro ensaio, primeiro acto, cena 1: As actrizes entram em cena e proferem as duas primeiras frases do texto. O encenador levanta-se e diz calmamente: “Ok. Vamos parar.”
Mau– pensamos– a este ritmo não chegamos à estreia!
O António põe-se ao nosso lado e mostra-nos porque é que estamos a começar mal. Mostra-nos com o corpo, mostra-nos com os olhos, porque antes de ser encenador ele é um actor que encena. Não nos mostra “como se faz”, mostra-nos pessoas e emoções, e na sua figura alta e fininha vemos aparecer uma angustiada velhota de 60 anos, um puto armado em carapau-de-corrida, um solteirão coscuvilheiro de aldeia. E tudo começa a funcionar, e tudo começa a ser comovente e hilariante. E, apesar dos ocasionais empandeiranços e faralhanços, é um trabalho cheio de risadas– as nossas e depois as do público. Desmente a gente procure o rigor e a verdade e (sempre) o prazer de fazer.
“O António Feio deixou-nos para sempre.”
Nós aqui preferimos meter uma sardinha...
O António Feio vive para sempre.
Obrigado!
Antes de partirmos de férias, e enquanto vamos finalizando o projecto em torno da herança espiritual de Cluny, que em Setembro nos levará até França, despedimo-nos com um convívio no nosso terraço na Fábrica Social no próximo dia 23 de Julho (6ªfeira). Pode jantar connosco a partir das 20h00 (mediante reserva) ou aparecer mais tarde e passar uma noite descontraída, por entre teatro, música e até uma espreitadela às estrelas.
Encontramo-nos no terraço!
*Nota: Jantar 10,00€ / pessoa sob marcação prévia até dia 20 de Julho (3ªfeira).
Informações e Reservas
(+351) 22 200 6144
(+351) 93 176 5475
Fábrica Social
Rua da Fábrica Social, s/n
4000-201 Porto