Ruth Mariner - Sifnos Crisis Theatre Diary Two
Neste final de junho traduzimos e ensaiamos uma versão em língua inglesa do nosso espetáculo "Boom & Bang" - baseado em "The Power of Yes" de David Hare - que será apresentada na ilha de Sifnos (Grécia) já na próxima semana.
Esta apresentação acontece no âmbito do projeto "Sifnos Crisis" integrado no programa "Youth in Action" da União Europeia. Um projeto que junta, durante um workshop de duas semanas, cerca de 65 participantes de 7 países europeus, com o intuito de cruzar material previamente reunido sobre a crise financeira europeia e explorar diferentes modos de abordagem deste tema pelas artes performativas.
A nossa criação "Boom & Bang" será apresentada em inglês no próximo dia 4 de julho aos participantes do workshop, com os quais debateremos não só os contornos específicos da crise em Portugal mas também as nossas opções artísticas na adaptação da obra de David Hare.
Em Dublin, o IETM – International Network for the Contemporary Performing Arts – reuniu, ironicamente, mesmo ao lado do Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia.
Parece cada vez mais instalada, por toda a Europa, a sensação de morte de um estado social que, nas últimas décadas, vinha considerando a a criação artística (o seu acesso e diversidade) como um bem público. Por toda a Europa? Não. Porque em alguns locais, nomeadamente na Alemanha, assiste-se a um reforço do investimento na cultura e nas artes, como se vivêssemos em planetas diferentes apesar de vivermos tão perto uns dos outros.
Mas de um modo geral, os artistas performativos europeus estão empenhados num processo de transformação da sua atividade, em particular do modo como esta se inscreve no circuito económico e no modo como se desenha uma relação de confiança com os públicos, através de “práticas sociais” que alargam o território da criação artística.
Uma coisa é certa, não se baixa os braços e já todos pararam de sentir pena de si próprios para partir à procura de novos modos e relações de trabalho. E aqui destacam-se cada vez mais os modelos que permitam o acesso a financiamentos europeus, num momento em que o investimento nacional na cultura tende a descer (ainda que, naturalmente, em alguns locais este seja compensado pela responsabilização da administração ao nível regional – que em Portugal não existe – e local). Por um lado abre-se, sem dúvida, uma oportunidade acrescida para pensar no que nos une a todos, enquanto grande comunidade europeia; Mas por outro lado, e na busca da uniformização imposta pelos procedimentos europeus, abre-se uma porta perigosa ao desinvestimento nas especificidades nacionais e no acesso (de alguns) dos respetivos públicos à criação artística contemporânea.
O IETM volta a reunir em Outubro, em Atenas.
Os niobianos estão de volta e preparam-se para tomar de assalto a cidade de Vila Real! Depois de Guimarães, Porto, Aveiro e Coimbra, a nossa mais recente criação "Nióbio" chega no próximo dia 14 de Dezembro (6ªf) ao Teatro de Vila Real. O espetáculo é às 22h no Pequeno Auditório.
Mas ainda antes, e na sequência da publicação do texto integral de "Nióbio" no nosso "Caderno IV", no dia 11 de dezembro (3ªf) às 21h participamos nas Leituras no Mosteiro promovidas pelo Teatro Nacional São João.Denominado "PACE - Performing Arts for Crisis in Europe, a new learning platform for european cohesion", o projeto foi recentemente apoiado no âmbito do Programa Setorial Grundtvig, inserido no "Programa Aprendizagem ao Longo da Vida" promovido pela União Europeia.
"PACE" é um projeto que visa a construção de uma rede europeia de intercâmbios artísticos e pedagógicos, abordando temas políticos e geopolíticos, nomeadamente as consequências da atual crise financeira na vida dos cidadãos de diferentes países europeus.
"PACE" será desenvolvido por uma parceria de seis entidades de produção e criação artística europeias: o Visões Úteis, La Transplanisphère (Paris/França), International Theatre (Roma/Itália), Project Arts Centre (Dublin/Irlanda), Teatermaskinen (Riddarhyttan/Suécia) e Mezzanine Spectacles (Toulouse/França). Cada entidade promoverá uma sessão de debate/formação no seu país, na qual participarão elementos das outras entidades e formandos locais convidados pela entidade promotora. Serão partilhados os modos particulares de trabalho artístico na abordagem da questão da crise financeira, do ponto de vista da especificidade da situação social e política do país de origem de cada entidade.
A primeira ação acontece já este mês, com o primeiro Workshop a decorrer em Paris, promovido pela companhia La Transplanisphère.
Mais novidades em breve!