
design: Teatro Nacional São João
"É uma armadilha. Digam-me que percebem que é uma armadilha, que percebem a minha responsabilidade, que não posso deixar isto para quem vier depois de mim!"
“Velocidade de Escape”, que toma para título a expressão que designa a velocidade mínima que um objeto sem propulsão precisa para se libertar de um campo gravitacional, é o segundo momento de uma reflexão do Visões Úteis sobre o modo como lidamos com o lastro do nosso passado e desenhamos o futuro em que nos queremos projetar, reflexão iniciada na mais recente criação “Teoria 5S” (novembro, 2017).
Estamos agora nesse futuro projetado, um espaço e tempo “ideal”, mais económico e leve, limpo do desperdício da existência humana - com as suas complexas memórias e emoções, a sua expressividade exagerada. Entramos na casa de um homem de meia-idade (Pedro Carreira) que aparentemente conseguiu libertar-se do seu lastro material e emocional, cortar os laços com o passado e assim conquistar a absoluta serenidade.
Para “passar um tempo agradável”, ele recebe dois convidados mais jovens (Mafalda Banquart e Tiago Araújo), que não conhece mas que foram selecionados por um qualquer algoritmo capaz de sugerir a companhia ideal para cada ocasião. O encontro põe à prova as reais capacidades do anfitrião para pertencer ao “maravilhoso novo mundo” leve, conciso, flexível, em que os jovens convidados parecem viver tão confortavelmente… mas revela também que, afinal, o convite escondia um objetivo sinuoso: resolver o último e embaraçante obstáculo à total libertação deste homem.
Duração aproximada: 1h
Classificação etária: M/14
Direção e Texto - Ana Vitorino, Carlos Costa, João Martins Cenografia - Inês de Carvalho Sonoplastia - João Martins Desenho de Luz - Pedro Correia Vídeo - Nuno Barbosa Interpretaçãoe Cocriação - Mafalda Banquart, Pedro Carreira, Tiago Araújo Coordenação de Produção - Teresa Camarinha Coordenação de Montagem - Zé Diogo Cunha Coprodução - Visões Úteis, Teatro Nacional São João

"É simples: Se isto fosse explodir tudo e tivesses um minuto para agarrar qualquer coisa para salvar, o que é que salvavas?"
A conservação das memórias através de um arquivo morto (ou de objetos do passado) é algo que nos prende a um tempo onde já não podemos existir nem atuar. Não será, assim, o ato da destruição desse arquivo uma libertação necessária para podermos pertencer verdadeiramente ao presente e nos projetarmos no futuro, para nos podermos mover, seguir caminho? Por outro lado, sem esse espólio seremos nós ainda alguma coisa? Não será a única forma de identificação de uma pessoa a materialização daquilo que fez e experienciou no passado?
“Teoria 5S”, coprodução entre o Visões Úteis e o Teatro Municipal do Porto, é a primeira de duas criações originais – a que se seguirá “Velocidade de Escape”, coprodução com o Teatro Nacional S. João em março de 2018 – dedicadas a esse confronto com o nosso lastro físico, e à eventual (ilusória?) libertação que a sua destruição ou redução minimalista nos poderá trazer.O espetáculo, que reflete com humor sobre uma certa ansiedade reducionista (ou mesmo minimalista) dos nossos tempos, inspira-se no confronto com o arquivo que o Visões Úteis criou ao longo de mais de duas décadas, e é marcado pelo reencontro com dois atores que ocupam um lugar muito especial nesse arquivo – e na própria história do teatro do Porto -, Jorge Paupério e Óscar Branco.
Em “Teoria 5S”, um grupo de pessoas mergulha no seu arquivo comum, forçando-o aos ensinamentos e regras trazidos por uma especialista em metodologias de arrumação, organização e eficácia. Um caminho de redução material que tenta criar espaço para um futuro mais promissor, mas que vai afinal mostrar-se cheio de paradoxos, expondo fragilidades individuais e fraturas dentro do próprio grupo. Se calhar alguns de nós não cabem no futuro…?
Duração: 75 minutos
Maiores de 12 anos
Direção e Texto Ana Vitorino, Carlos Costa, João Martins Cenografia e Figurinos Inês de Carvalho Desenho de Luz Pedro Correia Banda sonora original e Sonoplastia João Martins Vídeo Nuno Barbosa Cocriação Ana Azevedo, Jorge Paupério, Óscar Branco Interpretação Ana Azevedo, Ana Vitorino, Carlos Costa, Jorge Paupério, Óscar Branco Produção Executiva Teresa Camarinha Coordenação de Montagem: Zé Diogo Cunha Apoio Adão Oculista, Anjos Urbanos

“Romance of the Last Crusade” was the second original creation of Visões Úteis in 2016, a year we dedicated to the theme "Biographies". Inspired by the ways of representing war experiences, the show reflects on how the representation of biographies shapes the very construction of our memory and identity.
“Romance of the Last Crusade” is an original creation by Ana Vitorino and Carlos Costa and a coproduction between Visões Úteis / Teatro Académico de Gil Vicente / Teatro Municipal de Vila Real.
It opened on november 16th 2016 at Teatro Académico de Gil Vicente in Coimbra.

"Nowadays, everything happens very fast. We get attached to each other very quickly."
This month our new original creation opens in Porto: "Yuck Factor" proposes a menu of food and disgust, and questions the very notion of European identity.
PORTO: Teatro Carlos Alberto
Date: de 25 to 29 november
OVAR: Centro de Arte
Date: 12 december
texto e direção Ana Vitorino, Carlos Costa cenografia e figurinos Inês de Carvalho banda sonora original e sonoplastia João Martins com voz de Rita Camões desenho de luz José Carlos Gomes coordenação de produção Marina Freitas interpretação Ainhoa Hevia Uria, Ana Vitorino, Carlos Costa, Cristóvão Carvalheiro coprodução Visões Úteis, Centro de Arte de Ovar acolhimento Teatro Nacional São João