Visões Úteis

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Monday, 02 September 2013 17:33

Corpo Casa Rua

"Se calhar não devíamos estar na rua..."

 

 

Sinopse

 

"Corpo Casa Rua" designa uma performance no espaço público que juntou 21 participantes, com idades entre os 8 e os 80 anos, pertencentes a quatro comunidades - os alunos das Aulas de Teatro do Serviço Educativo do Visões Úteis, alunos do Serviço Educativo do Balleteatro Escola Profissional, utentes seniores do Centro de Dia da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso e reclusas do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo.

Durante 5 dias no mês de junho de 2013 os utilizadores do metro do Porto e o público em geral puderam cruzar-se com as "casas" e habitantes destas comunidades na Estação de Metro de São Bento (átrio principal) - numa performance que pretendeu gerar uma heterotopia, congregando num único espaço o que não está ou não pode estar junto à superfície. Um espetáculo de acesso gratuito e destinado a público de todas as idades.

Ao longo de três meses, "Corpo Casa Rua" reuniu 21 participantes de 4 grupos distintos, associados ao Serviço Educativo do Visões Úteis. Pretendemos, pela primeira vez, juntar a equipa artística do VU às comunidades que integram o nosso Serviço Educativo, num processo criativo em que as habituais metodologias de trabalho fossem forçadas a uma adaptação a contextos diversos, em termos sociais, culturais, económicos e geracionais. Na verdade, a experiência não seria completamente nova, porque há cerca de dez anos, e em colaboração com Isabel Alves Costa e o (extinto) Rivoli Teatro Municipal, já tínhamos arriscado algo parecido. Apenas parecido.
Desta vez, propusemo-nos a trabalhar uma vez por semana com cada um dos grupos: 4 crianças de uma turma de teatro do Serviço Educativo do Balleteatro, 6 seniores do Centro de Dia da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, 5 jovens da turma de teatro do Serviço Educativo do Visões Úteis e 6 mulheres reclusas no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo. E ao longo de 12 semanas fomos abordando exatamente as mesmas pistas de trabalho com cada grupo, partindo em cada semana de um motivo comum, mas necessariamente utilizando metodologias diferentes em cada contexto. E em comum, também, a necessidade de imaginar como seriam "os outros" - todos os nomes sem rosto -  de quem semanalmente cada grupo ouvia falar, mas que só conheceria na semana anterior às apresentações;

E assim fomos construindo um caleidoscópio em que se confundiam diferentes modos de definir identidade, tanto ao nível mais íntimo do Corpo - último reduto de cada um -  como ao nível do espaço público que partilhamos. E se nunca pretendemos tornar simples o que é complexo, também é verdade que nunca nos deixámos de surpreender com a imensa teia de consensos e antagonismos com que quotidianamente nos deparávamos, e cujos contornos se definiam por fatores (des)agregadores multiplos, em que a pedra de toque tanto podia ser a idade, o género, a biografia ou o contexto social.

E mais do que tentar expressar o visível - o que somos - tentamos paulatinamente expressar o invisível de que se tece o desejo do que gostaríamos de ser, ou de ter sido. Sempre imaginando que esta congregação de (im)possíveis se juntaria, num momento final, numa estação de Metro do Porto, criando assim uma heterótopia, na medida em que reuniria num mesmo espaço (subterrâneo) o que coexiste (à superfície) num mesmo tempo, mas nunca num mesmo espaço.

Não exageramos se dissermos que - nos quase 20 anos de atividade do VU -  este foi o processo criativo mais sujeito a contingências e transformações. Não só pela sua natureza em si - juntar o que não está junto - mas também pelo conturbado momento que o país atravessa e que nos levou a sucessivos cortes no orçamento da produção e um encaixe de sucessivos e incontroláveis fatores. E, a eleger o mais avassalador, teríamos que destacar as sucessivas convocações e desconvocações de greves pelo Corpo da Guarda Prisional, que constantemente conduziam ao encerramento de algumas das participantes nas suas celas durante 22 (!) horas por dia.

Por tudo isto, em "Corpo Casa Rua", ao fascínio deste processo criativo juntou-se uma muito particular obsessão com o produto, transformando-se este num desejo de efetivamente chegarmos todos juntos ao fim de um processo, que quotidianamente mostrava que tínhamos tudo para falhar, ou seja, para abandonarmos a convicção na possibilidade - ainda que transitória - da heterotopia.

Mas chegámos ao fim - ou melhor deveremos chegar ao fim. E, no seu final, acreditamos que "Corpo Casa Rua" se exprime de uma forma paradoxal: Por um lado, um processo centrado em consensos e numa noção de comunidade mais vasta do que o quotidianamente habitual; Por outro lado, um objeto em que, quase sempre, os consensos são preteridos pela convergência de ideias diferentes acerca do que partilhamos e do modo como o deveríamos fazer. Porque - e apesar de sermos todos tão "humanamente" parecidos em tantas coisas - a verdade é que todos pensamos de modo diverso.

Antes assim, em confronto aberto pela Praça de uma cidade que amamos, do que silenciados em nome de um consenso estúpido e hipócrita.

 

Corpo Casa Rua
42ª criação Visões Úteis

direção
Carlos Costa

dramaturgia
Ana Vitorino, Carlos Costa

cenografia, figurinos e adereços
Inês de Carvalho

cocriação e cocoordenação de participantes
Ana Azevedo

banda sonora original e sonoplastia
João Martins

desenho de luz
José Carlos Coelho

vídeo
Tiago Afonso

coordenação de produção
Marina Freitas

interpretação e cocriação
Ana Cardoso, Ana Coelho, Carla Sofia Martins, Carmen Gonçalves, David Coelho, Emanuel Costa, Fernanda Barros, João Paulo Lima, Leonor Quinta, Margarida Pinto, Maria Emília, Maria José Mendes, Martim Pinto Paiva, Patrícia Martins, Patrícia Susana Alves, Rita Ribeiro, Rute Andreia Nunes, Sissi Aubert, Teresa Alves Pires, Teresa Fernanda Ramalheira e Vitorino Neves.

apoio
Metro do Porto, Condaltom, Sempre Versátil

colaboração
Teatro Nacional São João, Balleteatro Escola Profissional, Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo, Junta de Freguesia de Santo Ildefonso e Serviço Educativo do Visões Úteis

produção
Visões Úteis

"Corpo Casa Rua" apresentou-se de 17 a 21 de junho de 2013 na Estação de Metro de São Bento (átrio principal), no Porto.

Wednesday, 06 November 2013 23:41

"Ficheiros Secretos" - Estreia Absoluta!

 

"Ficheiros Secretos" Cartaz por João Guedes

 

"Estamos a escutar mas não estamos a ouvir. Estamos a trabalhar. Só nos interessa ajudá-lo."


Uma secção de análise de informação. Três analistas. Um grupo de sujeitos para testar e um nunca acabar de factos, dados e sinais para monitorizar, anotar, editar ou eliminar. Na mesa, um caso em aberto: uma estranha história que resiste à interpretação racional, onde um sujeito (ou serão vários?) parece constantemente passar de culpado a inocente, de herói a traidor. 

Bem vindo aos "Ficheiros Secretos". Na nossa mais recente criação original, falamos de espionagem moderna - aquela em que a ação humana no terreno foi sendo substituida pela vigilância de sinais eletrónicos - e do modo como a nossa ânsia em recolher e analisar dados nem por isso nos parece aproximar de um mundo mais claro e controlável.

"Ficheiros Secretos" é uma coprodução com o Teatro Nacional São João, e estreia já no próximo dia 14 de novembro no Teatro Carlos Alberto, onde pode ser vista até dia 24.
 


texto e direção
Ana Vitorino, Carlos Costa cenografia e figurinos Inês de Carvalho banda sonora original e sonoplastia João Martins desenho de luz José Carlos Coelho cocriação Pedro Carreira colaboração na pesquisa Ana Carvalho, Ricardo Lafuente/Manufactura Independente interpretação Ana Vitorino, Carlos Costa, Pedro Carreira e ainda João Martins voz-off Arsélio Martins duração aproximada 1:40; M/16 anos

Local: Teatro Carlos Alberto (Porto)
Data: 14 a 24 de novembro
Horário: 4ª a sábado às 21h30 / domingo às 16h

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Monday, 04 November 2013 13:27

Joguemos o Jogo

Joguemos o Jogo
Versão Integral do texto de Ana Isabel Carvalho e Ricardo Lafuente publicado no programa de "Ficheiros Secretos" produzido pelo Teatro Nacional São João (novembro de 2013).
Thursday, 17 October 2013 18:08

"O Contrabaixo" em Setúbal

"O Contrabaixo" Foto de Paulo Pimenta

"O meu instrumento tem body, e é isso precisamente que me agrada nele. Fora isso... não tem nada que valha a pena!"


A nossa divertida adaptação de "O Contrabaixo" de Patrick Süskind tem viajado um pouco por todo o país, e este mês chega a Setúbal!

O espetáculo apresenta-se no próximo dia 26 (Sábado) na Casa da Cultura, e conta com a interpretação de Pedro Carreira e a música ao vivo de João Martins.

Preço dos bilhetes: 5€


Local: Casa da Cultura de Setúbal
/ Rua Detrás da Guarda, nº 26/34 2900-347 Setúbal
Data: 26 de outubro (Sábado)
Horário: 22h

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Friday, 11 October 2013 11:16

"O Espelho do Anjo" na Fábrica Social

Esta semana levámos a cabo a primeira oficina "O Espelho do Anjo" - uma iniciativa do nosso Serviço Educativo, a convite da Fundação Escultor José Rodrigues.

"O Espelho do Anjo" propõe um conjunto de atividades de expressão dramática às crianças e jovens que se deslocam à Fábrica Social, no âmbito de visitas escolares programadas para dar a conhecer a obra de José Rodrigues.

E são os próprios trabalhos do escultor e as obras patentes no Museu o ponto de partida para os exercícios e jogos propostos - numa tentativa de, em conjunto, recriar imagens e contar novas histórias, sempre em torno dos temas e personagens recorrentes na obra de José Rodrigues.

A primeira sessão ocorreu esta sexta-feira, 11 de outubro.

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Tuesday, 17 September 2013 11:59

Projeto PACE - Workshop no Porto

PACE Mapa Logo

 

Depois dos encontros de Paris, Atenas e Dublin, o projeto "PACE - Performing Arts for Crisis in Europe" chega agora ao Porto!

Cabe ao Visões Úteis, parceiro português deste projeto, a organização e acolhimento deste encontro, que acontecerá nas nossas instalações na Fábrica Social, entre os próximos dias 20 e 23 de setembro.

Aqui partilharemos, com um grupo de elementos de diversas companhias e entidades de criação e produção de artes performativas - da Irlanda (Project Arts Centre/The Company), França (La Transplanisphère e Mezzanine Spectacles), Suécia (Teatermaskinen) e Itália (The International Theatre) - e alguns observadores convidados, a nossa metodologia de criação própria quando abordamos temáticas da atualidade social e política.

A nossa última criação - "Nióbio" - e a produção que estamos correntemente a desenvolver - "Ficheiros Secretos" - serão os motes para algum do trabalho mais experimental a desenvolver com os nossos parceiros europeus.

O projeto "PACE" é apoiado no âmbito do Programa Setorial Grundtvig, inserido no "Programa Aprendizagem ao Longo da Vida" promovido pela União Europeia.

O workshop no Porto conta com o apoio da Fundação Escultor José Rodrigues.

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Saturday, 14 September 2013 12:02

Porta 27 apresenta "Procura-se Detetive"

Port 27 "Procura-se Detetive"

"Procura-se Detetive", criação dos nossos Artistas Associados - o coletivo Porta 27 - faz este mês duas apresentações inseridas no Festival Corrente Alterna no âmbito da programação do Teatro Nacional São João.

Neste espetáculo de rua, um detetive - perspicaz, inteligente, bonito, charmoso e com, pelo menos, 5 minutos de experiência em investigação - debruça-se sobre algumas das questões que andam nas cabeças de todos: O que é a Dívida? O que é o Euro? O que é a Crise?

O espetáculo é uma ideia original de Suzanna Rodrigues e conta com direção artística de Inês Lua e a interpretação de Catarina Ribeiro Santos, Cristovão Carvalheiro e Ivo Luz. Tem uma duração aproximada de 60 minutos e a entrada é livre.

Local: Teatro Nacional São João (Entrada)
Datas: 14 e 21 de setembro (sábado)
Horário: 18h30

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Thursday, 05 September 2013 15:30

Visões Úteis no World Stage Design em Cardiff


WSD Foto

O trabalho do Visões Úteis estará este mês representado no World Stage Design 2013 que decorre em Cardiff (País de Gales). Este evento, que acontece de quatro em quatro anos e vai agora na sua terceira edição, acolhe designers e criadores teatrais de todo o mundo, para um extenso programa que inclui mostras, espetáculos, debates e exposições.

A cenógrafa e figurinista Inês de Carvalho participa nesta edição do WSD, partilhando em várias secções do evento a sua prática e as suas reflexões como designer no âmbito de algumas das criações do Visões Úteis em que colaborou.

Assim, de 8 a 14 de setembro na Secção Exhibition, a decorrer no Royal Welsh College of Music and Drama, estará patente uma coleção de fragmentos (fotografias e adereços de cena) dos espectáculos "Monstros de Vidro" e "Nióbio".

No mesmo espaço acontece, de 9 a 13 de setembro, o "TESTing 2013- Staging Performance Design Research at WSD". Aqui Inês de Carvalho propõe aos participantes o projeto "I've been here before", um workshop aberto de investigação em torno da experiência do formato audiowalk, e partindo das nossas criações nesse formato.

Também em torno do formato audiowalk será a sua apresentação intitulada "Audiowalk and the Multiple Stages of the Real" na "4th Global Conference Performance - Visual Aspects of Performance" que decorre de 17 a 19 de setembro no Mansfied College, Oxford, e onde integra o painel "Emergent Sensorial forms of Performance".

A participação de Inês de Carvalho no WSD 2013 é apoiada no âmbito do Programa Setorial Grundtvig, inserido no "Programa Aprendizagem ao Longo da Vida" promovido pela União Europeia.

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Saturday, 27 July 2013 17:28

"Escrever para o Teatro do Mundo"

Amanhã, 28 de julho (dom.), decorre no Porto a tertúlia “Escrever para o Teatro do Mundo”, um debate com Carlos Costa, Pedro Eiras e Rui Pina Coelho.

Numa altura de império da imagem, de predominância da figura do encenador, de busca do espontâneo e do "real" e diluição das culturas nacionais, qual a importância que a escrita para teatro continua a ter nos dias de hoje?

O debate arranca às 16h no
Auditório da Letras na Avenida (Avenida dos Aliados) e conta com moderação de Jorge Palinhos.

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Saturday, 27 July 2013 13:20

Porta 27 estreia "Trovas e Collants"

Porta 27"Trovas e Collants"

 

Este domingo, dia 28 de julho, às 17h30 a Porta 27 estreia o espectáculo "TROVAS E COLLANTS" nos jardins da Quinta de Bonjóia.


Com direção de Daniel Pinto e interpretação de Filipe Moreira, Tiago Lourenço e Cristovão Carvalheiro, "Trovas e Collants" é um espectáculo para toda a família e com entrada livre!

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